MUITOS ANOS

E aí se passaram muitos anos

E ao meio deles via-me levado,

Alegre, às vezes, outras, alquebrado

Pela força e o peso dos enganos.

Durante os dias, dava-me aos planos

Para às noites os ver postos de lado,

E mesmo os sonhos que houvesse sonhado.

Desperto, eu próprio os tinha por insanos.

No interim, recordo os tantos nadas

De sonhos nos seus olhos e as fornadas

De sonhos que inundavam os olhos meus...

Vão-se os anos e dia a dia recordo

O que eu sonho, desde que acordo:

Pousar meus lábios sobre os lábios teus.