SONETOS DE ANNA

Pousa o corvo nas roupas dos varais de Anna

Pobre moça que não encontra paz na vida

Se nem mesmo o sol a dor medonha afana

A noite é mortal, e o bicho bica a ferida

Acaso haverá paz para ela nesse mundo?

Um dia rirá os risos brancos da felicidade?

Cavaram para ela um abismo tão profundo

Que nunca vê a luz à lumiar sobre a cidade.

Por ventura seus pecados são mais profanos

que não encontra redenção na penitencia

Quiçá em outra era sedeu aos gostos mundanos.

De que outra forma elucidar a presença da ave

que permeia sem descanso medeia sua existência

Como sobre o umbral fica o corvo. Solene e grave.

Anna Corvo

(Heterônimo de Elisa Salles)

Elisa Salles ( Elisa Flor)
Enviado por Elisa Salles ( Elisa Flor) em 13/11/2017
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