Quando Éramos Reis (Ali vs Foreman)

"Quando Éramos Reis" é um premiado documentário norte-americano filmado em 1974 no Zaire (Atual República Democrática do Congo) e lançado mais de 20 anos depois, sobre uma das maiores lendas do boxe e também dos esportes: Muhammad Ali. O foco e clímax do documentário é a luta pelo título de campeão mundial dos pesos-pesados, conhecida como “Rumble in the Jungle” (Luta na Floresta). Seu adversário foi o poderoso, temível, e até então imbatível, George Foreman.

Cassius Marcellus Clay Jr. é o nome de nascimento do esportista, porém, após sua conversão ao Islamismo, foi alterado para "Muhammad Ali". Segundo suas próprias palavras: “Cassius Clay é o nome de um escravo. Não foi escolhido por mim. Eu não o queria. Eu sou Muhammad Ali, um homem livre”. Sua trajetória vitoriosa é retratada através de relatos de pessoas próximas e de jornalistas da época. Além disso, o filme traz um apanhado de momentos e entrevistas históricas daquele que declarou ao derrotar o até então dono do cinturão Sonny Liston em 1964 por nocaute, “Eu sou o maior”.

Ali é conhecido não apenas por sua genialidade no Box, mas também por seu forte ativismo político e luta pelos direitos dos afro-americanos. Em 1967 perdeu seu título mundial e foi condenado a 5 anos de prisão e uma multa de U$ 10.000,00 por ter se recusado a lutar na Guerra do Vietnã. Antes dele, nenhuma outra grande personalidade havia se manifestado publicamente sobre esse assunto. A própria população norte-americana demoraria ainda alguns anos para perceber o horror e inutilidade desse conflito.

Após 3 anos da condenação, a Suprema Corte do Estado de Nova York devolveu sua licença de Box e o esportista retornou aos ringues. Ali, em 1971, enfrentou o invicto Joe Frazier para tentar recuperar o seu título na chamada “Luta do Século” e sofreu sua primeira derrota como profissional. Foi apenas em 1974 que ele teve a oportunidade de brigar novamente pelo posto, na lendária “Rumble in the Jungle”.

Ao todo, foram gravadas mais de 250 horas de material sobre o evento, o qual foi financiado por um empresário ligado ao ditador africano Mobutu Sese Seko. Apesar da pobreza de seu país, Mobutu liberou a quantia generosa de U$ 10.000.000,00 para que o espetáculo acontecesse em seu território. O motivo, bem explanado pelos entrevistados, era o de se autopromover e gerar uma publicidade positiva sobre o seu governo. Os olhos da imprensa ficariam longe de sua política autoritária e atroz.

Ali era uma pessoa carismática, espontânea, e tinha um ego enorme. Em várias ocasiões ele aproveitava para provocar o adversário, de forma bastante divertida e autêntica. Além disso, sua recepção e interação com o povo da África é um fato que merece destaque. Havia uma aura quase mística em torno dele, pois vários habitantes locais o consideraram um verdadeiro Profeta ou um deus. Por onde passava, as pessoas gritavam “Ali, Buma Ye”, que significa “Ali, Mate ele!”, recebendo o apoio e incentivo do próprio atleta.

Com a finalidade de promover o grande show, foram convidados grandes nomes da música mundial como James Brown, B. B. King, Bill Withers, The Spinners, dentre outros, para um grandioso festival de R&B e Soul Music que aconteceu em Kinshasa, no Zaire. Partes desse festival também são mostradas nesse documentário, bem como momentos e conversas exclusivas com alguns dos artistas sobre a situação dos negros na América.

O ápice de “Quando Éramos Reis” é quando os dois gigantes entram, finalmente, no ringue para decidir qual deles era o melhor boxeador peso-pesado do planeta. Todo o clima de suspense e expectativa gerados até aqui conseguem transmitir, mesmo que numa pequena medida, a grandiosidade desse combate. Foreman havia destruído os dois únicos lutadores para os quais Muhamad Ali havia perdido até aquele instante (Joe Frasier em 1971 e Ken Norton em 1973). A sua juventude e força descomunal seriam desafiadas pela experiência e agilidade de Ali, em uma luta dramática e muito emocionante.

A trilha sonora do filme é fantástica. Somos guiados a um verdadeiro passeio pela sonoridade do Jazz, do Rhythm & Blues e do Soul. Além das músicas mais populares da Black Music na época, temos ainda faixas originais como o dueto entre Brian McNight e Diana King Diana (When We Were Kings), a música "Rumble in the Jungle" do grupo The Fugees (Que Revelou a Fantástica voz de Laurin Hill) e contamos também com a inclusão de músicas de artistas locais.

Este é sem dúvida um dos mais belos documentários esportivos já produzidos. Muhammad Ali foi um homem, cidadão, e atleta excepcionais. Eleito pela revista americana Sports Illustrades “O Desportista do Século”, o primeiro a conquistar 3 vezes o título de campeão do mundo na sua categoria, vencedor de 56 lutas oficiais - 37 por nocaute - ativista político em diversas causas sociais, Ali inspirou milhões de jovens e adultos com suas palavras e atitudes e provou a todos que qualquer um pode mudar a sua realidade, basta lutar por isso.

Arthurx
Enviado por Arthurx em 22/03/2025
Reeditado em 22/03/2025
Código do texto: T8291889
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