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Eu fiz planos.

Quem falou que não deram certos.
As realizações foram maiores do que os planos que fiz. Superou.
Fiz plano de ser melhor aluna em todos os níveis que estudei. Fui, em muitos.
Queria dar orgulho ao meu incentivador e pai. Creio que dei. Não passou  de minha obrigação.
Estava fazendo o máximo por mim e nem percebia.
Nos planos, faria medicina. Acharia a cura para uma doença incurável. Queria curar a minha mãe. Com doença incurável. Ser um doutor na família, para orgulho dos pais. 
Virei mãe aos 16 anos. Atrazaram meus planos, mas não findaram ali.
Nada no mundo me impediram de sair da pobreza, da ignorância pela falta do saber.
Virei mãe da noite para o dia. De menina protegida me tornei sem teto e sem rumo. Aos 18 me tornei balconista esfomeada e desnutrida. Isso não estavam nos meus planos, era situação passageira e meu filho estava seguro.
Tudo que queria era crescer e dar uma vida melhor para ele. Foram dias e anos difíceis.
Estudei na Etfba, pois descobri que medicina era inacessível.
Queria mesmo trabalhar com pesquisa e investigação. Queria ser policia federal.
Precisava ajudar meu pai para proteger minha mãe. Estudei. Fiz 3o grau. Dei orgulho. Me fiz orgulho. Novamente me veio outro filho. Mais um menino. Flagio e debilitado, difícil de criar. Quer hoje me faz sentir que viver vale a pena.
Meus planos esperaram. Difícil cuidar de dois  meninos sozinha. Depois que sai de casa, sempre fui sozinha.
Não sou mais só. Meus planos mesmos por caminhos tortuosos se tornaram orgulho por onde passei.
 
A Regina Michelon
Enviado por A Regina Michelon em 01/03/2018
Reeditado em 17/03/2018
Código do texto: T6267432
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
A Regina Michelon
Simões Filho - Bahia - Brasil
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A Regina Michelon

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