Um amigo angustiado me falou:

Hoje estou triste, talvez tenha errado um pouco,

Ou bastante.

 

Fiz muitas escolhas espontâneas,

Outras por um medo sutil.

Ou por pura covardia

Agora, sinto uma profunda solidão

Meus "erros" passados

Aparecem num espelho

Gerando ecos do subconsciente

Implorando por perdão.

 

Eu sei, eu sei do que fui capaz

Nada, nada, fica impune

Aos desígnios imparciais

E implacáveis da Vida.

Isso me assusta, me angustia

Porque vejo uma névoa escura

Sorrateiramente roubando minha paz.

 

Nessa horas, como é bom ter um amigo

Como alivia abrir o coração,

Ser aceito como se É

Incondicionalmente,

Ilumina minha escuridão,

Tranquiliza minha alma.

 

Ele não queria ser específico,

Percebi que era algo abrangente

Que colocava em cheque

Sua totalidade, seu mundo,

A pessoa que foi, que era e que É.

E que seu fardo passado

Permeava o presente

Com ecos trovejantes

De uma tempestade que se avizinha.

 

Tudo bem, disse eu:

Teu estado e sentimentos, meu amigo

Me fazem lembrar o sábio Rumi:

"Sejas paciente quando estiveres

Sentado no escuro.

O amanhecer está chegando".

 

Ao abraçá-lo,

Percebi no olhar opaco

De pupilas negras

O brilho da esperança,

Primeiras e distantes

Luzes de um novo dia.

 

Seu olhar lacrimejante

Encontrou o meu,

Sabíamos do que estávamos falando.