Marcas do tempo.

Hoje, peço para que o tempo
Dê um tempo...
Passe bem devagar...

Já não percebo o arco-íris
Que um dia eu quis pular,
Nem as estrelas que ousei contar.
A lua ainda está lá, prateando a noite,
Exibindo São Jorge - Matando um de meus dragões.
As nuvens continuam mudando de formas
E eu não mais desejo pegá-las,
Como se de algodão-doce fossem.
Os pingos de chuva, sutilmente
Estalando em meu rosto
Como beijos de Liberdade,
Remetiam-me ao êxtase -
Hoje, apenas incomodam minha estúpida rotina
.
O pôr-do-sol, nem por acaso vejo,
Às vezes de lampejo, apenas de lampejo.

- É o crepúsculo da sanidade!!!

Hoje, sou um calendário
De inúmeros números
Circundados à tinta.
Um calendário que me mostra
Que a idade avança...
E que preciso de um tempo, meu Deus!
Para amar meus amores,
Curtir os sabores das coisas mais sagradas
Que, sem pudores, em andores
Tão altos, distantes, blindados,
Eu mesmo as coloquei.