A cabana


Que vida viste lá fora,poeta,que a mim  vida esqueceu?!
Que vista tinha lá fora,poeta,tinha nuvens azul celeste,
E cotovias e pardais?!Tenho botijas,se parecem com elas?!
Que viste,poeta,me conta,moro na cabana vermelha,ao lado 
Da estrada,apesar do pranto e do uso,não abri janela alguma;
Recuso-me sair dela,tem tijolos soltos,e grade nenhuma,
Mas me prendi nela!Que tem lá fora poeta,me diz,sem andores,
Se tem sol,poeta,me lembro,mas não fiz por merecê-lo;
E nenhuma fera,minha, já não pesa nada,aqui tenho mil noites em mim;
Que viste lá fora,poeta,Tras tinta azul -cobalto,minha cabana é vermelha !!

E como não estar nela,se me recuso do mundo,me dou pouca partida,
Meu peito dentro do espectro e da cabana,não faz azuis,todo dia,me gasto,
Tentando entender quem me prendeu na cabana de cor vermelha!!
Aqui todos o s quadros são de Salvador Dali,e referência de sair,nenhuma,
Cadê poeta,minha caneta-tinteiro,minha tinta nanquim?!Sumiu da escrivaninha,
E só tenho um lápis e papel de pão,não farei soneto assim,sem papel-carta,
Guardei papel de pão,pra poema que só vinga as coisas do tempo;
Tras pra mim ,mais tinta-nanquim,mudaram os fechos da cabana,tenho pressa;
Coloque debaixo da porta e vê se têm manuscritos e correspondência de correio!!

Que viste lá fora que a vida escondeu de mim,poeta amigo,fiz café de bule,
Acendi fogão de lenha de aquecer,mas não quero café,poeta,tráz absinto,
De aquecer coração,tá gelada a manhã,córrego passa perto daquí,poeta,
E até canoa,se foi,e remo enfiei debaixo da cama,escondi de mim,pra não ver;
Pinte pra mim essa cabana cor azul cobalto que te pedi,talvez sorria de imaginar!
Mas se vou abrir porta,pouco sei,sumi as chaves,e não fiz cópia alguma;
Poeta,vistes mais alguém na estrada,fala pra mim,que tem aí fora da cabana,
As melhores coisas que tinham aqui,delas todas me dei e outras nem sei,
Se perderam por certo como a mim a fome,morrerei delas todas,um pouquinho
Por dia e a cada instante,serei eterno,guardei o esquife e enchi cântaros dágua
Pra quando vida voltar,saciar-me da agua de bica,e poeta,guarda meus alecrins!!




             (Dedico ,e quase como carta, essa "prosa" a um grande poeta,Mestre Elígio Moura)
 
MaisaSilva
Enviado por MaisaSilva em 23/06/2019
Reeditado em 23/06/2019
Código do texto: T6679515
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