SÓ VOU FICAR VENDO.
Não há em mim nada de novo.
Já não penso mais na pouca sorte do mundo.
Nem no desespero dos frequentadores
daquela praça que viram seu pop ídolo
renunciar.
Já até acho estranho pedras caírem do céu,
como se os Montes Urais fosse casa da Geni.
Bandidos nos poderes podres do Brasil,
em agressões mútuas, gratuitas, fortuitas,
inúteis, inócuas e imbecis.
Autoridades desautorizando porta-vozes.
Gente simples entregando seu salário às igrejas larápias.
Mais bandidos incendiando ônibus.
Já nem me incomoda mais as crianças sem escola.
Nem sei se vale a pena estudar. Melhor crescer.
E dar um jeito de se candidatar a qualquer coisa.
E ser qualquer coisa, como muitos têm sido.
E mais bandidos matando policiais.
E mais...e mais.
Não vou perguntar nada, porque perguntar agora ofende.
Só vou ficar vendo.
Ovelhas se afogando no trânsito.
Marquises que despencam de novos prédios.
Carnavais de bundas feias e carros encrencados.
Lasanhas com carne de cavalo. Grana a galope.
Carteiras de habilitação desabilitadas.
Tem muita coisa ainda.
Mas eu...só vou ficar vendo.