Doces ilusões, amargos finais

Fui com os olhos no chão, coração na boca e orgulho na mão. Caminhando por passos trôpegos, tentando equilibrar-me nas minhas próprias inseguranças, tentando não trazer de volta as lembranças, tentando fazer dança. Sabia do risco de me deixares escorrer por entre teus dedos de novo, mas fui. Arriscando uma certeza sólida de permanecer-me inteira, fui sem hesitar caminhando em tua direção, sem olhar para os lados ao atravessar esse tráfego de sentimentos, continuei. Escorri líquida por tuas mãos concretas, vendo espatifar no chão o orgulho que outrora estivera em minhas mãos. Culpo a mim, não transferirei à ti a culpa que me pertence. Poderia ter parado na esquina, desviado na curva, mas continuei sôfrega de que talvez desta vez eu não evaporasse de tuas lembranças. Doces enganos cometemos por acreditar em ilusões, amargos finais esses amores de verões.

Paula L O
Enviado por Paula L O em 10/09/2011
Código do texto: T3212146
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