Efêmero.
...,
a efígie do sol passa retocando a paisagem e,
quando muda de cor, some nas sombras
em um horizonte totalmente abstrato.
Escama as camadas do possível, enquanto
as lembranças flamam sobre as flores da janela. Floridas, elas germinam lentamente sobre a sacada, na tentativa de preservar o invisível que escapa do presente, deslizando no futuro evasivo do olhar.
Suavizar o tempo fulvo e fresco, entre os ruídos gélidos de uma passagem corroída por uma cerca verde de um céu plissado,
em instantes que fogem na abstração absurda do concreto e nenhuma palavra é dita antes que o silêncio sonolento da manhã desperte em um cotidiano comum entre as árvores crescidas de um mundo de muitas faces.
As frases por dizer ficam guardadas no espelho à minha frente e,
eu continuo retocando a maquiagem...