A saudade etérea

Tive entre minhas mãos,

Ao alcance do coração,

A mais etérea das substâncias,

Mas algo inexplicável ocorreu,

E o que era real em vislumbre se perdeu.

Um dia acordei, vazio de todo meu ser,

Como se o tempo tivesse em fluído a fugir.

E agora, longe do que foi um lar conhecido,

Sem saber onde ou quando existo,

De tudo e todos me sinto esquecido,

De mim mesmo,

Às vezes você me vem ao longe,

Mas nunca chega onde estou, ilusão

Ou locura habita desde então o meu coração...

Uma imensa saudade me acompanha,

A cada passo, a cada pensamento.

Tudo me pesa, minha alma de chumbo,

Que só se expressa em tinta cinza,

Com a qual poluo noites e dias inteiros,

Desde sempre...

Nem aurora que desponta,

Nem noite a revelar o Cruzeiro.

Via-Láctea sem estrelas, sem sol,

Nem frio, nem calor... Uma dor de tudo

Desde que tudo me parece que terminou...

Meu coração, cemitério onde tudo finda,

Sem esperança, sem nada, onde cruzes

São espadas fincadas profundamente...

Sigo, sem rumo certo, qualquer lugar é deserto

Como se fosse um sonho de mim mesmo,

Do qual nunca desperto, de onde não há escapatória, nem começo nem fim, nem história...

Um sonho-promessa, um juramento em si quebrado,

De que um dia tudo se ajeitará,

Mas, meu amor, tão distante tudo me parece...

Uma dor fina e calada, num silêncio de uma tímida olhada

Para onde nunca se devia mirar, abismos...

Ela me silencia para todo o resto, e para o que sobrou,

Esse deserto líquido dentro de minhas lembranças,

Que inunda minha alma perdida e partida

Para sempre de ti apartada, por ti desesperada...

Um fantasma de mim mesmo, às vezes é o que penso ser.

Mas nem isso, meu bem, tenho conseguido ser,

Mas nada, sou como um cão magro dormindo numa calçada,

O sonho que ele tem...

Não, nem isso sem você eu sou, eu não sou mais ninguém...

Sebastião Alves da Silva
Enviado por Sebastião Alves da Silva em 26/03/2025
Código do texto: T8294953
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