QUESTÃO DE TEMPO

Ouve o tempo

arrastar as suas correntes,

atrasar os passos carentes,

do ciclo das horas coerentes,

circo das estrelas cadentes,

no cerco do picadeiro,

no centro do estardalhaço,

ele foi domador, primeiro,

hoje é apenas um palhaço.

Houve um tempo, nesta esfera

em que ouvíamos nas frestas

o barulho inaudível das festas,

e entre os leões e outras feras

vivíamos na sua razão

a queimar no incêndio,

no lume da imensidão

do seu ardente silêncio.

Agora o tempo se foi e

o que restou de nós?

Esperamos, erradios,

esse futuro que agoniza

apressamos os vazios

que o presente preconiza.

E enquanto não chega

o momento derradeiro,

vamos buscando

como forasteiros

um tempo

que não nos pertence,

que deixamos escorrer

pelos dedos desta vida

cada vez mais ausente.

Leonardo do Eirado
Enviado por Leonardo do Eirado em 05/09/2021
Código do texto: T7335966
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