SIM

Sim.

Que seja tudo assim.

Na minha teimosia, contudo.

Que a estrela brilhe opaca,

Que o rio corra sujo,

Que as mãos ganhem o longe,

Que a vida não tenha razão

E que seja assim tão rouca!

Basta que o calor seja o sol,

Que a música preencha minha alma,

Que tudo tenha calma

Para acolher a desgraça , o infortúnio.

Tudo será revirado, transtornado, acabado,

A luz sem norte, sem sul

Acabará no vale profundo do nada,

Em cova forjada na noite calada.

Não ficarei aqui,

À merce deste rosto colado,

Enfrentado a risco de carvão

No inferno forjado.

Paro, não defronto, resisto,

Busco outra vida, persisto,

Na linha reta do incerto,

O avesso do aberto,

A voz crua do tom certo!

A voz nua do incorreto!

A chaga sangrenta

De meu peito aberto!

Helena Helena
Enviado por Helena Helena em 17/09/2018
Reeditado em 25/09/2020
Código do texto: T6451953
Classificação de conteúdo: seguro