Lua, Luar

Ah, se eu pudesse tocar-te

desenhar-te com o dedo

Pálida, branca como gelo.

Solitário, hei de amar-te.

Ah, se eu pudesse descrever,

este encontro entre nós,

o desejo de estarmos sós,

no lampejo, dou-me a escrever:

"- O fino véu translucido,

banha-me de corpo inteiro,

que jaz prazenteiro,

do meu eu, esmorecido.

Todo eu já combalido,

de minh'alma esvanecido,

pois, de ti entorpecido,

meu eu tenho carecido.

Hoje doudo por inteiro,

no silêncio matreiro,

Fugaz e sorrateiro,

ser d'alma poeteiro."

Ah, se pudesse o nevoeiro,

não me deixar arrefecido,

minh'alma teria oferecido,

como amante... fiel escudeiro.

Tão pálida sua luz sombria,

farta-me de tal maneira,

e ao meu coração esgueira,

quente dentre a noite fria.

A face da terra acaricia,

luzente como um ser divino,

toca nest'alma de menino,

que no gélido sereno, ardia.

Como amantes de histórias antigas,

Deusas, homens e meninos,

finda o espírito, tais desatinos,

nesta e noutras épocas vindouras.

Dominante o nevoeiro,

descansa no campo enegrecido,

Pálida, repousa sobre o outeiro,

e finda o campo enegrecido.

Robin S
Enviado por Robin S em 19/03/2025
Reeditado em 19/03/2025
Código do texto: T8288998
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.