Sólidos

No tempo das’águas, no em antes, do ano passado

andei quase a virar passarinho.

Um átimo da minha vocação

de borboleta ou morcego foi que faltou.

Desvoei!

Mas meu medo de menino,

medo ancestral da queda, amoleceu-me.

Desdesenhadas minhas almas tortas

Recolhi as penas e a pena.

Despoetei-me.

Arrasto-me lagarto desde então.

Encaramujei minhas vontades

e liberdades receosas. Parado no ar

caindo de pedra e chumbo,

Gravitacionei.

https://polenepedras.blogspot.com/2019/10/poemas-publicados-0042019.html