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Sem vez

Toda vez
Que me abato
Que sou peça de abate
Entalo no cano
Entoco na caverna
Reclamo de braços cruzados
Não acendo velas
Desdenho abre caminhos

Toda vez
Que jogo a toalha
Tranco porteiras
Saio da estrada
Viro o rosto à mão amiga
Não busco atalhos
Não traço trilhas
Amordaço desabafos
Não me dou segunda chance
Meus adversários interiores
Convidam a torcida pro churrasco

Eles enchem estádios
Lotam avenidas
Abarrotam parques
Soltam fogos
Cantam, dançam, festejam
Fazem selfies, compartilham
Até os ossos do meu cadáver
Menos um obá
Menos um obá
Menos um obá
Menos um obá

E olham pra fila de mim
A espera do próximo
Há tempos remotos
Minhas carnes abastecem açougues

Neste contexto
Sem nave
Sem teto
Sem mesa
Sem pódio
Sou troféu
Sigo virado pelo avesso
Travestido em aparências
Que não fazem a diferença

Sem vez
Outra vez
Ao espelho não sei dizer
Se o desgosto maior
Se o tropeço pior
É o de ser limitado
Acuado, defasado, despreparado
Ou mais outro fracassado
Fazendo coro à mística
Engrossando estatísticas

Oubí Inaê Kibuko, Cidade Tiradentes, 28/09/2017

OUBÍ INAÊ KIBUKO
Enviado por OUBÍ INAÊ KIBUKO em 30/09/2017
Reeditado em 30/09/2017
Código do texto: T6129148
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
OUBÍ INAÊ KIBUKO
São Paulo - São Paulo - Brasil, 63 anos
105 textos (87616 leituras)
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OUBÍ INAÊ KIBUKO