CURA
Operar culpas com tão precisas incisões,
nos eleva a obstinados cirurgiões sociais,
cerebrais defensores das virtudes morais,
dissecando a vileza mortal de milhões.
Que te fica além de um grito cortante
se desferes duros golpes sem piedade?
Se apenas os restos mortais da verdade
sobram acolhidos na mortalha do instante?
Se a mais perfeita sutura deixará cicatriz,
curando o corpo para usufruto da vida,
que farás se a sequela é de alma tolhida?
Num brinde ao resgate da missão de aprendiz,
tua humana essência há de curar a ferida,
sem que o espírito te aponte como infame juiz.