ARTIMANHA DA ARTE MINHA.

Surge a longa noite e, com ela, a insônia
Inseparável, insana mãe da criação,
Quando guerreiam pensamentos antagônicos,
Quase emergindo a pretendida perfeição.

Ah, essas batalhas...
Eu sou um campo de batalhas,
Estou exposto às metralhas...
Batalhas noturnas, intrínsecas que abatem intentos,
Sonhos, desejos, reis despreparados.

Despreparados reis afundam esquadras
E o mar não é doce, é realmente salgado.
No fundo, no fundo eu sei.
São estrondos que amedrontam atalaias,
Estratégias que anulam as tocaias
E que dizimam vaidosas pretensões.
Batalhas noturnas, internas, sem o lume das lanternas,
Indiferentes às escuridões.

Rajadas de imaginações se perdem,
Trocas de tiros de ilusões,
Embates que abatem reis
Revelando que nem eles são reais.

Ah, essas batalhas...
Fazem-me sentir um campo de concentração,
Até que um dia eu passe a documentá-las
Sob formas de poemas ou canção.

Ah, essas batalhas...
Que travem sem tréguas, que travem sem cruzes,
Sem covas, sem fim.
Essa paz indesejada, sem desperdício sangüíneo,
Extremado raciocínio que se manifesta em mim.

Ah, essas batalhas necessárias, hilárias, irônicas, satíricas,
Dramáticas, nuas e cruas, camufladas pela imaginação...
E se defrontam a fantasia, a realidade, a heresia,
Ora a crença, ora a razão.

Ah, essas batalhas...
Que se enfronham na magia das palavras bem mais livres que escravas:
Às vezes tudo, às vezes nada, às vezes parte...
Formatadas ou perdidas sem um norte, ausente a morte, certamente serão arte.

Ah, essas batalhas de derrotas e vitórias,
Frustração, destruição, inspiração, clímax, apogeu,
Mesmo sendo o seu palco a insana insônia,
Lá no meu íntimo, seu vencedor sou eu!

Ah, essas batalhas...
Que travem sem tréguas
Rumo à arte, rumo à arte!