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Velório da Esperança

Fui hoje ao teu funeral.
Queria despedi-me de ti,
Antiga e verde companheira.
Por seres sempre a última a perecer,
Eu acreditava que eras eterna.
Mas do primeiro ao último,
Todo mundo um dia se vai.

E assim tu foste embora,
Nua, pálida e branca como a neve.
Saíste abraçada e ao colo carregada,
Por aquela que de todos é a indesejada.

Foi desse jeito te deixei boquiaberta lá no caixão,
Quando os meus olhos incrédulos se voltaram para o chão
E virilmente de costas sem derramar uma lágrima,
Ou sequer dizer uma palavra,
Esperançoso do campo santo eu saí.

Por ser demasiadamente sonhador,
Recuso-me a dizer-te até breve.
Frei Michel da Cruz
Enviado por Frei Michel da Cruz em 27/03/2014
Código do texto: T4745895
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Frei Michel da Cruz
Paraíba do Sul - Rio de Janeiro - Brasil
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Frei Michel da Cruz

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