ALMA VIVENTE

Andei cortando esse sertão na catingueira vida de um desassustado vivente, que percorre léguas e léguas de desconhecidos caminhos, por entre grotas e lagoas seca igual o resto dessas estradanças de aventuras e tocaias feita por mãos de Homens feras, acostumados nas matanças e despachação de almas para o outro lado da vida.

Caminheiro oriundo donde não seitalvez de terras distantes de bem querença do homem pelo homem.

Cada curva, um apego à oração, pois o cano da esperadeira pode estar acionado na minha direção.

Sou devoto de mim mesmo, pra não incomodar os santos de qualquer Valença. Medo nenhum tenho não.

Assim como confiança nos outros, também boto não, pois já vi filho matando pai, e pai maltratando filho por conta de muita ambição.

Sigo assim, tentando ser correto mesmo dando passos tortos por caminhos incertos, ou se as certezas dos erros meus tantos, possam um dia me acompanhar na estradeira caminhança da minha sina.

O que é dos outros não quero, mas o que é meu ninguém a força toma, e se pedir com intenção de me enganar, terá o corpo estatelado numa dessas ribanceiras de estradas desandadas por gente de conduta boa.

Minha palavra é certeira, feito praga de mãe sofrida por filho maltratante, desses que não cumprem o devido respeito para com aquela que a vida lhe deu.

Minha historia, eu escrevo nas pegadas que deixo no caminhar da minha tracejança de rastros desenhados no chão.

Amigos eu tenho poucos, ou talvez de certo quase nenhum que confiança possa ter, pois já desiludi o juízo de amizades dado as engananças, falsas risadas e abraços de treitas por muitos dados.

Descompreendo o porquê das pessoas maltratar no dizer da fala, ou no gesto escondido, a respeito de outra pessoa que ali não está para se defender das palavras de ofensas carregadas de maldades.

Não aperto mãos faz muito tempo, por não achar sinceridade nesse ato por parte de quem a minha mão estendo. Encolho meu cumprimento, e me basto apenas no aceno da cabeça, que é pra não chegar tão perto de gente que não conheço, não confio e nunca vi, e se vi, não vejo porque ceder minhas mãos para elas.

Isso foi no tempo de meu pai, roçador catingueiro, quando a amizade era rica, e era herança deixada por Homens de valor desse torrão avermelhado pela poeira.

Hoje, a palavra se perde nos beiços de qualqueraventureiro, dada sem valor de confiança, pois a enganança já vem junto feito veneno de cobra guardado de baixo da língua pronta pro bote.

Tô errado? Então siga seu caminho achando que todo mundo tem o mesmo sentimento de sinceridade que você pensa ter, e verá o veneno escorrer por entre os dedos de quem pisa em tua casa ou cruza teu caminho no dia a dia da tua vivença.

Confiar demais nos outros, é cavar a cada dia, um palmo da tua interrança nos caminhos daqueles que não voltam a caminhar em terra.

Acredito que Lampião tava certo quando experimentava o comer com sua colher de prata, na desconfiagem da boa chegança na visitagem em casa de alguns. Isso eram os velhos que me contava que assim sucedia.

Homem bom tava ali. De palavra e de respeito dado, com quem lhe dava respeito e boa querença. Va enganar Lampião pra você ver!

No costado daqueles sertões arriba (desses que hoje passam meus pés) pisavam as apracatas do Capitão Virgulino, maior dos outros já passados na historança de tantos Homens do saber que hoje ditam nas beiranças de Santa Brígida, por onde ele sempre juntava os pés, mesmo que fosse de passagem.

Homem bom tava ali. Disposto, correto e leal no despejo do dizer alto, forte e sincero. E quem haverá de duvidar?

Homem tem que ter palavra, estar junto de muitos, desconfiar de todos, e não acreditar em ninguém com tanta sagacidade.

O Pior da sede é a sede de beber sem conhecer o rio de fato, e hai daquele que não tenha sua colher para a experimentança das coisas que lhe são servidas em canecas desconhecidas.

Hai daqueles...

CARLOS SILVA POETA CANTADOR
Enviado por CARLOS SILVA POETA CANTADOR em 05/11/2016
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