Indiscretamente

Que eu o amei, ah, é claro que sim.

Em toda a minha existência sempre vive com discrição, a única coisa a qual não fui discreta foi para te amar.

Amei-o de forma escancarada, de forma imensurável, de forma insana. Eu o amei, amei com o coração rasgado, amei-o tornando-me nada. De tal forma que o amei, com tanta indiscrição, que quando descobriste o quanto o amava, sentiu-se dono de mim. Como se eu lhe pertencesse, não da forma que gostaria que fosse, eu o pertencia apenas como um objeto. Jogou-me na parede, esqueceu-me na estante.

Com a indiscrição com que o amei, tornei-me presa fácil em tuas mãos, tornei-me nada à mim mesma.

Amei-o com tanta indiscrição, que quando vi, perdi aquele tipo de amor, que chamam de fundamental, o amor-próprio.

Paula L O
Enviado por Paula L O em 08/06/2011
Reeditado em 08/06/2011
Código do texto: T3022594
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