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Descondicionamentos Medulares

...Salve Majestade. Gratidão. O mestre Ivan Lins na canção "Iluminados" me reporta ao casal Abayomi e Kawame, em Reencontro. Até o presente um dos melhores contos que já escrevi e espero vê-lo transposto para os palcos ou telas. Como os escritos de Ousmane Sembene, Tunde Kelani ou a produção de Ingmar Bergman. Preciso digitá-lo e postar no blog Cabeças Falantes e outras redes sociais: "O amor tem feito coisas/Que até mesmo Deus duvida/Já curou desenganados/Já fechou tanta ferida".

Notícia boa para fechar o ano e abrir o próximo com outros caminhos e perspectivas. Desde a minha gestação eu devo ter sido agraciado pelo espírito da fênix, algo parecido ou ainda tenho um longo percurso à frente pelas graças dos santos pretos e orixás, para eu ter em mente que a minha jornada só está começando ou sendo retomada para prosseguir. Mesmo que aos trancos e barrancos, fendas e buracos em seis décadas de existência, quando eu deveria estar com o burro na sombra ou pendurando as chuteiras.

Na humildade: Gratidão. Sou grato aos ancestrais, aos mestres e mestras, incentivadores e motivadores por estar ativivo. Parabéns pra mim. Parabéns por mim. Parabéns a quem nos antecedeu, aos que são referências, a quem está chegando. Nossos passos vêm de longe em direção ao infinito de cada ser. Fotografia e Luz andam de mãos dadas. Estou rindo e chorando de alegria. Ganhei presente de aniversário anterior e posterior, de Natal e antecipado para o Ano Novo em 2020, no qual espero soprar 65 luminosas e refletoras velinhas. Se não for na comunidade do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França será nas festas beneficentes da banda Comitê do Soul, realizadas no mês de outubro, lideradas por Sergio Oliveira Pereira. E cantando aquele samba do Paulo César Pinheiro: "O importante é que a nossa emoção sobreviva".

Após um jejum de quase 25 anos, pela quarta vez volto aos palcos em grupo. Comunidade de Jovens Itaquerenses (Coji), Grupo teatral do Afoxé Ilê Omo Dadá e Quilombhoje. Somo ao currículo duas produções solos, através dos monólogos poéticos teatrais "Como Se Fosse Pecado", baseado no meu livro homônimo de estréia literária e "Axé Brasafro!". Desta vez venho homenageando Jair Rodrigues no cover "Deixa Isso Pra Lá", integrando o musical "Minha Vida de Chacrete", texto e direção de Rogério Pimenta, com o grupo Estrelas do Amanhecer, da UNATI (Universidade Aberta à Terceira Idade) USP-Leste, no qual ingressei em 2018. No segundo semestre deste ano voltou ao caderno da memória algumas folhas passadas. Como o clima anda com carta branca para executar tudo que parecer suspeito, municiado, querendo liberta-se de grilhões, optei pelo passo de gato preto na sombra ou no silencio da noite. Não é poema, mas a metáfora cabe em vários leques. Os mais gritantes: 81 tiros e 9 pisoteados (sem esquecer quem não virou manchete), que nos digam. Até no escuro pobre e preto é alvo. Evoco Fundo de Quintal: "O Show tem que continuar".

Quarta-feira, 18/12, dia consagrado a Iansã e Xangô, nivers do tio paterno Valter "Babu" dos Santos (78) e da primogênita Shalom Barbosa (44), do primeiro enlace, saiu o resultado. Por coincidência ou mensagem cifrada tomei conhecimento no dia seguinte, quinta-feira Oxossiana, 19/12, niver da segunda primogênita Kindaisha Asantewaa (33), do segundo enlace. Eu contava esta idade quando conquistei em meados de 1988, de forma atabalhoada e inesperada uma carta de alforria. Kid Abelha, em Grand' hotel, me desperta reflexões: "Qual o segredo da felicidade?/Será preciso ficar só pra se viver?/Qual o sentido da realidade?/Será preciso ficar só pra se viver?" Não encontro respostas convincentes e satisfatórias. Cada caso é um caso. Assim como cada um sabe aonde seu calo dói. Contudo em nome do equilíbrio, respeito, sobrevivência, é algo a se pensar quando a convivência em casal, emprego, escola, família, grupo, religião se tornam corrosivas, destrutivas, inviáveis. Tipo bando de porcos espinhos aprisionados e confinados numa minúscula cela. Seja o que for, foi um mal necessário.

O ato me custou baixas e perdas, porém tem proporcionado ganhos até então inimagináveis perante a circunstância em que eu me encontrava como alguém atolado em areias movediças. Simone Kormanski, Tradutora Técnica, é alta, esguia, expressiva, tem boa voz e desenvoltura cênica. Assim como a mestra e doutora em sociologia, Vera Benedito, que me lembra Zezé Motta, narrando peças publicitárias e telecursos. Estão agarradas ao trabalho formal pelas benesses do salário fixo e da aposentadoria. Um desperdício de talento. "Osso bom em boca de cavalo", diria Tereza Santos. Como elas conheço outras tantas. Por que mulheres são tão agarradas ao dinheiro e promessas de segurança alheias, em vez de apostarem no seu próprio taco? Quem trabalhou no Mappin levou um tremendo calote. Os sócios fraudaram a falência da empresa e deram no pé. Muitas empresas terceirizadas seguem exemplo similar e os credores e funcionários que se resolvam na justiça. Ainda vou produzir algo visual com locuções de ambas. Tanto para ouví-las quanto para elas se ouvirem. Segundo um pensamento anônimo: "Se você não trabalhar pelos seus sonhos, alguém vai te contratar para trabalhar pelos dele". Ou ser repasto para morcegos, sanguessugas, urubus. Como os que servem de aviões, fusíveis, laranjas, amparados enquanto são úteis. Aceitarmos a ser quem somos é uma coisa. Nos sujeitarmos ao que meio nos impõe, nos condicionam, nos manipulam a seu contento é outros quinhentos. “A única certeza é que duvido, e se duvido eu penso, e se penso logo existo", assim falou Descartes. Se Freud não explica; Fanon elucida.

Duas décadas e meia depois fora dos palcos, no entanto ainda envolto pelo espírito transformador presente na peça "O Circo de Bonecos", de Oscar Von Pfhul, livro que me acompanha desde 1964, eu contava nove para dez anos, sinto-me como o Leão da peça. Lembra o Mito da Caverna, de Platão. Como também as peças dos mestres: Abdias do Nascimento, Carolina Maria de Jesus, Tereza Santos, Eduardo de Oliveira e Oliveira, Cuti, Allan da Rosa, Cristiane Sobral, Grace Passo, Sérgio Laurentino, Audri Anunciação. Alguns lidos e discutidos nos encontros bimensais do Quilomboletras, clube negro de leitores. A lista afro-negra-brasileira e diaspórica é maior, sem complexo de vira-lata a Shakespeare, Nelson Rodrigues e Plínio Marcos...

Isto tudo para dizer: Pasmem e pensem comigo. Será que o teatro está escrito no meu caminho e estou andando em círculos? Ou o cinema e a televisão, por serem multimidia e a soma de todas as artes, apontam vários caminhos? Seja nos palcos ou bastidores. Machado de Assis escreveu poemas, novelas, crônicas, peças teatrais, contudo seu foco e labor maior se deram nos romances. O palco para mim é um lugar sagrado. Para pisar nele preciso estar com o corpo e a mente limpos. Como nos rituais do candomblé. Venho encarando o mundo por outros ângulos. Posso ainda estar incerto sobre os caminhos que desejo, mas estou aprendendo a ter consciência das estradas que não quero mais percorrer; a ir aonde nunca fui. Não se trata de arrogância, que no fundo também pode ser interpretada com insegurança, e sim, de autoconsciência e autocrítica em curso. Chega de permissividades para ser aceito, negando a si mesmo. Faz sentido o título de uma biografia da Elza Soares: “Cantando para não enlouquecer". Temos no estomago muitos sapos engolidos.

Parabéns por mim. Passei nas provas e vou estudar Iluminação Cênica na SP Escola de Teatro, no horário vespertino, módulo Verde (iniciante)! Resumo: "A estrutura pedagógica da SP Escola de Teatro é formada em quatro módulos: amarelo, azul, verde e vermelho. Esses são divididos em eixos temáticos que abordam estéticas cênicas e dramatúrgicas norteadoras do pensamento teatral, como narratividade, performatividade, conflito e personagem. A cada semestre, os aprendizes assistem a aulas, participam de atividades de formação ampliada e constroem experimentos cênicos – braço prático do aprendizado”. Em novembro passado, pelo mês da Consciência Negra de todo dia, assisti duas apresentações do grupo Não é Safari, em "Zoológico Humano", peça escrita e encenada por Robinson Rogério, que dividiu palco e cenas com Carla Silveira. Ambos, incluindo a equipe técnica, sob direção de Gustavo Amaral são alunos da SP Escola de Teatro. Sinopse: "No futuro, a política de extermínio da população negra alcançará seu maior êxito: restará, apenas, uma mulher negra e um homem negro no mundo. Por serem raros, eles serão mantidos em um jardim zoológico, presos na mesma jaula para que reproduzam e, dessa forma, não sejam totalmente extintos – afinal, a total inexistência de negros representa um risco para os brancos, a partir de qual corpo (fenótipo) construirão a auto-imagem da diferença?" Segundo informações retornarão aos palcos no próximo ano em outro local. Salvo equivoco senti que estou pisando em terra firme e fértil.

Tudo começou quando tomei conhecimento e fiquei impressionado com as fotografias do armênio canadense Yousuf Karsh. Posteriormente, em 2011, a TV Cultura exibiu o documentário "Karsh: Fotografia e História (Yousuf Karsh Is History)", 2009, dirigido por Joseph Hillel. Nele soube que o mestre do mestre foi iluminador teatral e o discípulo Yousuf aplicou os conhecimentos e técnicas do mestre, com linguagem própria nas imagens que produziu. A maioria delas apenas com tecidos e luzes simples. Pirei. Este documentário não foi mais reprisado em nenhum canal, não está disponível no Youtube e ando feito arqueólogo em busca dele. Dizem que o mestre Walter Firmo, em termos de iluminação também é minimalista. Reza a lenda que ele dá conta do recado até com lâmpadas domésticas. Neste mesmo período soube que Ney Matogrosso atua também nesta área. O que nos aponta a importância de arquitetarmos e incluirmos planos e possibilidades B, C, D, E... além das listadas e batalhadas no promissor e talentoso A. E fazermos coro e concorrência ao Leonardo da Vinci, dentre outras e outros, a pesquisar e trazer a luz... A exemplo do seminal e uterino livro de cabeceira “Gênios da Humanidade: Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente”, 2017, do historiador e professor Carlos Machado Dias Machado, apenas para citar.

Não estou me gabando. Sem soberba. Tudo que desce, sobe e tudo que sobe, desce. Quem caiu pode se levantar; quem subiu alto demais, sem escada apropriada pode cair. Dias passados encontrei o marido de uma ex-colega de trabalho. Ele já atuou na área de Produção, em setores diversos. Agora está trabalhando como Despachante. Sem entrar em pormenores sondei a área de Iluminação. Para a minha surpresa soube que ele é Iluminador. Foi forçado a parar devido a inflamação ocular por excesso de exposição à luz. Agradeci as informações que ele me forneceu. Reacendeu dicas de uma montadora numa oficina de cinema ministrada no Centro Cultural Cidade Tiradentes. Preciso agora pesquisar meios preventivos para me precaver.

O tempo passou. Desde que tomei consciência de que é preciso aprender, conhecer, atuar, ocupar, cuidarmos de nós e cada um de si, questionar, reivindicar, revisionar todo espaço onde houver ausências, insuficiências, lacunas, Djavaneio, mesmo quando afirmam que estou, que estamos com o copo cheio: "Nem que eu bebesse o mar encheria o que eu tenho de fundo". A História e a Sociedade nos devem indenizações incalculáveis. Os movimentos estudantis de 2013 e 2016 reacenderam discussões e expectativas, nas quais me enquadro. Não é por mim. Ou apenas por mim. Não sou mais e somente singular. Hoje, perto ou distante, avessa ou parceira, uma pluralidade parental está em curso e com pautas pessoais. A pequena grande caçula do primeiro enlace, Selma Nyjingha Mahyn (36), retomou os estudos, está cursando Pedagogia e almeja especializar-se em Literatura Negra para atuar na formação de professores. Se depender de torcida, apoio emocional, intelectual e material um lugar no pódio já é dela. Li em algum lugar que "A natureza está sempre pronta a ajudar; desde que façamos a nossa parte". Respeito, Retrocesso, Revolução começam em casa. E, a escola, pública ou privada, não está sendo; ela, assim como o Brasil, via de regra sempre foi um ambiente elitista, excludente, violento. E de onde vem os fios embrionários? Quem tem históricos de assédio, bullyng, coerção, descendência escravizada, origem periférica, discriminada e seus correlatos dominantes, dominadores, partidários, conhece na pele essas realidades: sem mimimi. E se for temos direito ao vitimismo. Ele serviu de cabo eleitoral e continua sendo utilizado com estratégia midiática pelo clã vigente no Planalto. Por mais que fechem portas ou façam chacotas, não devemos desertar nem recuar. Cometi esta besteira. E mais de uma vez servi de carneiro aos lobos; dei peixe para tubarões. Agora busco recuperar o tempo que perdi ou permiti gratuitamente pelo benefício e desenvolvimento de quem não me quis nos bancos escolares. Incluindo alguns próximos e afetivos recrutados para criar barreiras ou servirem de cooptadores em meios alternativos, empregatícios, associativos, etc.

Se o mundo tem cercas, muros, panelas, o problema é dele. Acompanhado ou sozinho bato cartão em cinemas, cursos, exposições, oficinas, shows, teatros. Ultimamente optei por lugares públicos, catraca livre, colaboração voluntária, pague quando puder, afins de evitar entraves e estresses desnecessários. Sempre aviso a galera e a família. Se não vão, eu vou. Sou andarilho por natureza. E fazendo coro a Dom e Ravel: "Eu sinto a sede do saber" e ao mestre Solano Trindade: Ouçam aqueles que me entendem/Eu amo a Quinta Sinfonia de Beethoven/E não quero limites para viver".

Num dos cursos preparatórios de pós graduação na USP Cidade Universitária - Cinema e Antropologia Visual - frequentado esporadicamente como aluno-ouvinte, ministrados por Esther Hamburger e Rose Satiko conheci a mestra e agora doutora Kelen Pessuto. Ela estudou na SP Escola de Teatro e me sugeriu inscrever-se. Ocorre que os horários disponíveis eram incompatíveis naquele momento. Por ter caído em papo de aranha e entrado em bico de sinuca, eu estava em regime de senzala, no semi-aberto e dando escapadas planejadas, mediante acordos promissórios ou de compensação. Os capitães do mato e seus asseclas, de plantão e no meu encalço eram muitos. Por essas e outras rezo com João Nogueira e Paulo César Pinheiro: "O meu canto é uma missão/Tem força de oração/E eu cumpro o meu dever/Há os que vivem a chorar/Eu vivo pra cantar/E canto pra viver".

Neste 2019 uma oportunidade surgiu. Estou com maior disponibilidade, sem pires nas mãos. Lembrei de Yousuf Karsh, dos meus mestres fotógrafos, demais referências somadas a alguns módulos de uma oficina de cinema na Oswald de Andrade, no primeiro semestre, coordenados por Fernando Brito e Raphael Von Peer Cubakowic e na companhia dos amigos Rubens Viana e Solange Plensack, desde os tempos da ELCV (Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André), retomada em 2009. Pensei nos conselhos da Kelen, nos filmes exibidos na oficina e tentei a sorte quando o processo seletivo da SP foi aberto. Agora estou feito criança. Tal qual aquela que a Kiusam de Oliveira e o grupo Morabeza Nação mexeram no Auditório Ibirapuera quando assisti "Tayó" - o musical, adaptado do livro infanto-juvenil "O Mundo no Black Power de Tayó". O trecho de uma reportagem publicado no portal da agência Alma Preta fala por si: "(...) o musical narra a vida da princesa Tayó, cujo nome significa “da alegria”, uma menina negra, de seis anos, que se orgulha do seu cabelo crespo com penteado black power, enfeitando-o de diversas formas."

Uma criança quando se vê, fica meio abobalhada. Não assisti, mas imagino como deve ter se sentido e reagido a Miss Universo sul-africana ao ser anunciada como vencedora. Diversidade é a palavra em voga, existente e praticante, em vários núcleos e situações, antes de virar moda midiática e até partidária. “Neste contexto, o pódio é individual e a vitória coletiva. Com ou sem holofotes”. Assim disse e tenho repetido desde que ingressei na faculdade em 2004, no curso de Comunicação Social, via Prouni e Programa de Ações Afirmativas. Espero fazer jus a mais este acontecimento, aprender, compartilhar conhecimentos, contribuir no que estiver ao meu alcance, e, sobretudo me divertir bastante. "A velhice não é sinônimo de decadência; assim como a aparência não é sinônimo de beleza. O homem impõe padrões que inibem a nossa espontaneidade. Não podemos deixar que esses padrões limitem os nossos desejos. A felicidade se encontra nas coisas mais simples. E nós podemos nos permitir sermos felizes. Faça aquilo que te deixa feliz. Viva". Marli Guerra/Chacrinha.

Gratidão. Parabéns por Nós! Parabéns a quem é filha ou filho amante do movimento. Mestre Carlos Dafé, em A Cruz, sugere: "Sigamos sempre juntos/Deixa quem quiser ficar pra trás/A verdade é o amor e muita paz". Sabemos que muitas e muitos vêm de linhagens aladas, são frutos da Pedagogia da Águia, cujas asas foram podadas por prazeres mesquinhos ou castração de consciências para frear rebeliões. Romper com ditaduras, limites, submissões, tesouras - sejam externas ou internas - se faz urgente e necessário. Toda opção tem um preço; escolha gratuita não existe.

“Eu Não quero mais a morte/Tenho muito que viver/Vou querer amar de novo/E se não der não vou sofrer”, canta mestre Milton em Travessia. Deixo aqui a letra de um clássico funk-soul do mestre Gerson King Combo - UMA CHANCE, do álbum Mandamentos Black, 1977, a quem possa interessar. Tanto no coletivo quanto no individual. Vem. Não é Pombas Urbanas. Mas se você ama a Arte ou a Arte de Viver, sinta-se e se veja em constante construção. Cante com as Frenéticas: "Abra as suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nesta festa e leve com você seu sonho mais louco, saia do sufoco, lindo, leve e solto”. Vem. Se falhou, errou o passo na primeira, reformule, mude a rota, tente, tente-se outra vez. Vem. Vamos amar, cantar, dançar, encenar, filmar, fotografar, pintar, rimar, estudar, rir bastante, até de nós mesmos, e Voar...

Uma chance, só uma chance
Que eu te peço, brother
Para entrar em seu coração
E morar num mundo bonito
Vagar no infinito e sentir
Toda beleza que é ser Black, irmão
Que é ser Black, Brother, Irmão, Man
Abra o seu coração pra eu entrar irmão
Outra chance, mais uma chance
Pra te mostrar, como usar
A sua mente, inteligente
Sempre amar o seu outro igual
Pra ser natural, ser normal
E não deixar se derrotar, é brother
Abra o seu coração pra eu entrar irmão
Abra o seu coração
Uma chance, só uma chance
Outra, outra, outra, outra chance
Mais uma, mais uma, mais uma
Uma chance man
É brother, a beleza interior é mais bonita
Que a beleza exterior
Seja bonito por dentro e por fora, irmão
Uma chance, outra chance
Uma nova chance, eu quero uma chance
Você tem que me dar uma chance, brother
Abra o seu coração pra eu entrar irmã
Come on brother
Quem está com Deus, brother
Está em maioria, brother
E se Deus está comigo
Quem pode estar contra mim, brother
Abra o seu coração pra eu entrar irmã
Abra o seu coração pra eu entrar irmão
Abra o seu coração

Oubí Inaê Kibuko, Cidade Tiradentes para o mundo, 20 de dezembro de 2019.
Publicado no blog Cabeças Falantes: https://tamboresfalantes.blogspot.com/2019/12/descondicionamentos-medulares-por-oubi.html
OUBÍ INAÊ KIBUKO
Enviado por OUBÍ INAÊ KIBUKO em 20/12/2019
Reeditado em 23/12/2019
Código do texto: T6823151
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
OUBÍ INAÊ KIBUKO
São Paulo - São Paulo - Brasil, 64 anos
111 textos (94009 leituras)
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OUBÍ INAÊ KIBUKO