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Filosofia em Futebol Português

- Chico Bento, você viu o jogo do Belenenses contra o Braga, pela quarta divisão do Campeonato Português, realizado na Ilha da Madeira? Aos 45 min do segundo tempo, uma incrível defesa do goleiro do Braga. Voou feito gato na bola, indo buscar a bola no ângulo. Garantiu o empate. Estou de queixo caído.

 - É mas eu lembro deste lance e o goleiro para deixá-la mais deleitosa, pastosa, saborosa, azeitou-a bem e fez que a pegou, aconchegou-a no peito e abraçou o vento. Ela dormiu de mansinho e por pouco, não encostou na rede. Moral da estória: goooool! Desculpe-me, mas o Gajo meu amigo, dormiu no lance.

- Sem crise, inspiração com bagaceira se aliam, ao invés de procurar refúgio no intrépido domínio. Quem esteve em campo, foi a bola da vez; e nós somos o gol, alegria da massa. Salve! Ô Manel, traz mais bagaceira para dois...

- Caralhos mô fodam, homem; além de ser bom entendedor de futebol português, és filósofo de bodega!

- Futebol sei quase nada; mas Filosofia, sou graduado pela Universidade de Coimbra, homem! Façamos um tin-tin para celebrar o gool que não vi, da partida de futebol que assisti.

- Boa, amigo Furata Cavaco Silva! Tu sabias que bola em português, é redonda no português brasileiro e pelota em espanhol?

- Ainda bem que a bola é redonda para os brasileiros, porque se fosse quadrada, iriam dizer que é por causa do nosso português.

- Talvez! Bem pensado.

- Ôô homem, deixemos de conversa fiada e  vamos beber para comemoraraire a vitória de nosso time.

- Sim, claro. E comer queijo de queixo erguido, também!

P.S.: piada de português, ou mentira cabeluda à brasileira, ou feique nius americana - detesto inglesismos.

Guia de Cego
      Zé Gatolé era um sujeito tinhoso. Saudável de saúde, empurrava a vida com sua barriga seca e pouco esforço. Trabalhar era uma das últimas palavras de seu dicionário, um caderno roto de páginas amareladas que carregava na capanga / embornal.
          Comparando as eras, Gatolé nascera em tempos errados. Se fosse nesses tempos de pandemia, como justificativa da farta distribuição de dinheiro, Ele se daria bem; e se dependesse dele para melhorar um pouco mais a condição de vida do povo, ao invés de Terra, o Planeta se chamaria Pandemia alguma coisa. No momento, seria Planeta Pandemia Corona; porém, a Natureza não privilegia, não dá asas às cobras; e age conforme a ocasião.
    Zé despertava cedo e como dizia, teria mais tempo para planejar o dia. Planejamento que era sempre o mesmo: botava o terno que trocava à cada 2 dias, alinhava-o com uma gravata colorida e calçavam os pés com sapatos, via de regra pretos sem lustro
            Ficava um tempo em frente ao espelho, espiando qual melhor caimento das peças vestidas, penteando os cabelos, cofiando a barba e por fim, resmungava: "É o que tenho para hoje". Botava a pasta com os cadernos debaixo do braço e abria o compasso das pernas pelas ruas da cidade.
      Gatolé estava sempre apressado. Chegava na padaria ou no bar, pedia um café, esfregava as mãos uma na outra, como quem sente frio e dirigia-se ao balconista: "por favor cidadão, um café. O mais rápido possível; os relógios e aviões não esperam ninguém". Para tornar-se ainda mais verdadeiro, soprava o café, repetindo o gestual corriqueiro.
        Por certo tempo, Gatolé sumiu da cidade. Poucos sabiam de seu paradeiro. Um dia desses, de recebimento do Auxílio, muitas pessoas estavam na fila, quando chegou para receber, um amigo seu de longas datas.
          Cumprimentou a todos e após a resenha familiar / política / pandêmica, o recém chegado perguntou por Zé. Um disse que não sabia; o outro disse que Ele se metera com a mulher do vizinho e tomara 5 tiros; o outro replicou, dizendo que de fato Ele morreu, mas não dessa maneira.
              De repente passa alguém como Zé do outro lado da rua. O indagante voltou-se para os inquiridos, dizendo como poderia Ele ter morrido, se acabara de passar alí perto. A conversa virou um burburinho, morreu; não morreu. É o Zé; mas não é o verdadeiro Gatolé.
                Para melhor esclarecê-los, Indagante assoviou, gritou o seu nome" Zé, Zé Gatolé"! Ao que Ele ouviu e respondeu, dizendo que iria até eles; mas que esperasse-o tomar o cafezinho.
      Zé aproximou-se deles. O Indagante sorriu e disse: "Zé, estão dizendo que você morreu, por isso sumiu da cidade. Por onde o nosso Gatolé andava? Saudades, Zé!"
- Estava em otra cidade: Sun José dos Jumentos, trabaiano.
         Os presentes olharam um para os outros, taparam as bocas e riram. Gatolé nunca foi de cabo de enxada, tampouco de letras e menos de suar a camisa. O Indagante continuou a sabatina: "fazendo o quê,  trabalhando em quê, nos conta querido Zé?
- Trabaiano de Guia.
- Guia? Guiando quem e o quê, Gatolé. Fale; desembucha!
- Trabaiano de Guia de cego. Fiz curso, so dotô no assunto.
  O pessoal caiu na risada. Um deles se meteu na conversa e o acusou: "cuma trabaiano em Sun José dos Jumentos, cê num cunhece lá,  cuma vai guiá cego? Ô Zé, conta otra."
- Cê tá certo. Eu num cunheço a cidade, mes não; mas o cego cunhece. Ele é de lá, nunca saiu de lá. Cunhece tudo. Tintim, por tintim; beco por beco! Ocês me descurpa, tenho que i!
          Fez o gestual, sua marca registrada e ao virar de costa, vociferou: "cêu sumi, cés se priocupe, não. Tô lá, trabaiano, ajudano o cego caminhá".

Mutável Gambiarreiro
Enviado por Mutável Gambiarreiro em 07/06/2020
Reeditado em 13/06/2020
Código do texto: T6970093
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Mutável Gambiarreiro
Jegue é - Tovuz - Azerbaijão
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Mutável Gambiarreiro