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                      Os pássaros da paz
Meu ninho ali naquele galho, eu e meu companheiro entoávamos um cântico de alegria, pois tínhamos terminado a construção de nossa casinha, foram tantas viaje de argila no bico que eu nem sei enumera-las. Esses nossos festejos acontecia quase no meio dessa tarde, poucos minutos antes de rolar aquele tapete tenebroso, da copa desta minha árvore contemplávamos o campo todo, o jovem jequitibá estava firme plantada ali naquelas terras solida, eu e meu companheiro balançávamos num dos galhos mais alto, saciávamos das deliciosas correntes da brisa que soprava contra nosso papo de cor marrom claro.
Ficamos apavorados quando o tronco começou trepidar, percebi quando as raízes do nosso majestoso começaram a sucumbir, eu e meu companheiro não voamos procurando outro lugar seguro, e fiquei com pena de perceber todo aquele nosso trabalho ir de água (lama) a baixo, der repente nossa coluna que sustentava nosso mundo desabou, veio a cair por terra em um cenário de completa desolação, eu sofri muito com o fim destes meus sustentáculos, nasci e vivi minha vida toda amparado por esse meu grande amigo Jequitibá, agora sem vida deitado sobre esse lamaçal desordeiro e desalmado. A corrente lamosa corria procurando os lugares mais baixos das superfícies desse terreno feito de solo fértil onde corria esse riozinho tão laborioso regando essas vegetações tão benéficas a nossa vida, logo foram apanhados por esse barro gosmento e mortal impregnado de limalhas e químicas fortes, armazenadas já alguns tempos nesse reservatório de grandes paredes de aterros.
Estou muita preocupada, Joaozinho ainda não voltou, acredito que ele não desapareceu em meio a essa devassidão, sabe voar com agilidade, nunca deu bobeira para nenhum perigo, não vai ser agora que vai mergulhar nessa enxurrada maldita... Eu vou entoar meu gorjeio e ele vai responder... Assim... Pronto! Lá esta ele respondendo, eu sabia que ele não tinha desaparecido, é ele, eu conheço de longe seu cantar, vou repetir... Vixe!... Nem precisou duas vezes, oh ele aqui novamente.
- Escuta querida, quero continuar com o nosso gorjeio, mas agora não em tom de festa, fiquei muito triste com essa tragédia, saiba você que a paisagem entristeceu, muitos perderam a vida, tudo está melancólico. Nós somos apenas um casal de aves, perdemos nossa casa, mas não se esqueça de que muitos seres humanos também estão desabrigados e perderam suas famílias, nosso cântico nesse momento será uma reza de preces para todos.
Joaninha e Joaozinho voaram para bem longe, acionaram suas asas e posicionaram o bico em direção do sol nascente a muitos quilômetros dali onde as sujas águas dessas mineradoras não os alcançariam já mais, construíram novo ninho, chocaram novos ovos em que deram vidas a uma família de joãos de barros filhotinhos onde usufruíram de águas límpidas, matas ciliar repletas de flores e frutas, regatos verdadeiro paraíso em céu aberto de luz.
Antonio Portilho
Enviado por Antonio Portilho em 02/02/2019
Reeditado em 03/02/2019
Código do texto: T6565626
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Portilho
Andradina - São Paulo - Brasil
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