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Sábado no Coreto

Geração 2000

Sempre que vejo um animal qualquer, por exemplo um cão vira-lata sarnento, ou um cavalo manso, dócil, ossudo, daqueles que carregam cargas pesadas de rapaduras para enriquecer o patrão, ou um camelo sob sol de 50 graus no deserto, só de pensar que eu poderia ser um deles, fico depressivo, desanimado. Morro para a vida.

Iniciativa

Demorei muito, passei da ocasião para trocar a pilhas, quando fiz, os tic-tacs do relógio ceifaram meus sonhos; e junto com eles, a esperança.

Banquete

Você vai se servir ou vai esperar de braços cruzados, sentado a bunda na cadeira, olhando tela de celular, o garçon trazer o espeto de carne exótica da Amazônia, tais como, carne de leão, onça, lesma, tico-tico, serpentes, capivara, lontra, centopeia, tamanduá, ouriço, porco espinho, bicho preguiça, borboleta, tucano e tantas outras.

Cara e coroa

Semelhante a flor do lótus que transcende sua beleza e cor dos recônditos do pântano, sou ouro puro garimpado no monturo. Todavia, se  comparado com a sensibilidade de uma beija-flor parada no ar alimentando-se do néctar das flores, sou nada e pouco valho.

Corpo Flex

2/3 de mim é água; e o restante, álcool de cerais com graduação variada.

Ampliação

Do jeito que as coisas caminham neste país, passou da hora de trazer ambientalistas, brigadeiros, policiais, ginecologistas, ortopedistas, professores, garis, domésticos, presidente, advogados, pedreiros, sociólogos, deputados, serventes, enfermeiros, honestos, psicólogos, filósofos, contadores, economistas, engenheiros e..., de outros países; com apenas o pré-requisito: é imprescindível ser competente e acima de tudo, trabalhar com apreço e vontade em prol de uma sociedade melhor. Início urgente para apagar os incêndios na Amazônia, para atuar na rede pública de saúde, transportes, educação, habitação.

Mandala

Fitei os olhos no centro da figura, como resultado, meu estômago revirou e fiquei zaroio, precisando usar óculos para perto e longe.

Protecionismo

Pai, mãe e os filhos saíram para passear. Após certo tempo de lazer, foram comer pastel. O filho passou mal e confidenciou aos pais que estava com forte dor de cabeça, náuseas e empanzinado. Sentida pelo filho, a mãe disse: "pena eu não poder tomar para mim, sentir suas dores tão doídas, filhinho".

Cegueira Bolsonarista

A cultura, a poesia e a filosofia não prõpoem a resolução dos problemas, mas sim a reflexão e o questionamento do todo, cuja finalidade é deixar o interlocutor, o ouvinte e o estudioso livres para fazer os arranjos e mudanças em seu cotidiano, visando a melhoria coletiva. Portanto, a poesia, a filosofia e a cultura de modo geral, é um exercício de altruísmo empático.

Igualdade sempre

Minha única alegria na vida é trabalhar durante a semana, para no domingo sair com a mulher e os 4 catarrentos para comermos um pastel especial de feira. Socialista que somos, levo a trena no bolso, cuja finalidade é medir, milimetricamente o pedaço de cada um. Difícil é contar os grãos de carne moída; mas damos um jeito. Somos uma família formada nos moldes do bom senso e compreensividade. Igualdade, solidariedade, fraternidade e justiça, sempre. Lula livre, já!

Aprendiz de político

Imitando o bom cabrito que não berra, o arruaceiro Luisinho, quando está sob o efeito da fumacinha do diabo na mente, quebra a vidraça da vó Melina e fica quietinho, como se nada tivesse acontecido. Sonhador e idealista, quando crescer, diz que vai ser vereador e prefeito em sua cidade; e se o povo de seu der uma forcinha, presidente da nação inteira.

Concurso

Se o leitor sabe umas palavras, em inglês engana o português, está habilitado para concorrer a cadeira na embaixada brasileira nos States; porém, é obrigatório saber queimar hamburguer e tocar fogo na floresta Amazônica.

Filho do pai

Estão criticando, descendo a madeira no Bolsonaro porque vai empossar seu filho como embaixador nos EUA. Falácia da oposição, mesmo porque, se não fosse o filho dele, seria o filho de outro pai qualquer. Afinal, todo filho da mãe, é filho de pai; ou a ciência já fecundou filho incubado em chocadeira?

Umbilical

Cortei o cordão, caíram as bandeirinhas, despedaçaram as palavras e desfizeram-se os pensamentos. Tudo para nada; o nada estaca, freia, finda, sepulta o tudo. No crepitar da lenha, com conhecimento ou sem, milionário ou pobre, tudo que entra por um ouvido, é visto por 2 olhos, e sai pelo outro ouvido. Amanhã temos notícias novas, a Amazônia refrescou, o Bolsonaro não é mais presidente, o Lula morreu, eu comprei uma pastelaria, a galinha deixou de botar ovos de ouro, o macaco tossiu, a serpente sibilou, o Luisinho realizou seus desideratos, a dor do filho passou; e salve, salve a efemeridade.

Náufragos

Despertei, abri os olhos, como os botões de flores desabrocham em pétalas. Duas pétalas, apenas duas: Eu e Você. Vívidos, nus, fortes, resistentes, desvirginados a colorir o jardim; a colorir o caos, a colorir o quarto, a colorir os lençóis, a colorir o mundo.
          Toquei-a. Suspirou assustada. Sorrimos ao saber que nós existimos e somos únicos em meio ao que sobrou. Essa história precisa ser escrita, e a escreveremos com calma, compassadamente, em longos e bons dias, começando por este: bom dia!

Mutável Gambiarreiro
Enviado por Mutável Gambiarreiro em 31/08/2019
Reeditado em 31/08/2019
Código do texto: T6733508
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Mutável Gambiarreiro
Jegue é - Tovuz - Azerbaijão
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