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1 Conto nas Contas Natalinas

          How, how, how. Vamos a mais 1 conto/discurso natalino: "Conto de Réis era uma moeda brasileira que circulou em tempos remotos, mais exatamente nos passados idos da década de 1930, no país. Já contas natalinas sao atuaid e em breve saberás os valores. Vem aí Seguro disso ou daquilo; o vencimento diário do cartao de crédito (ou de caloteiro); lista de material escolar; a fatura das vestes compradas para a passagem de ano; o festival de I: IPVA; IPTU; I a...(recuso-me dizer) para pagar; isso claro, se for um fulano, porque cidadao requer ousadia e responsabilidade social, honesto, digno, capaz, brioso e cumpridor de seus deveres; caso contrário, será mais um caloteiro usando a máscara da ostentaçao construída com o suor alheio, engrossando a listas de inadimplentes nos órgaos de proteçao ao crédito." How, how, how!

P.S.: 1 conto nao pagam as contas natalinas, pois somos brasileiros perdulários e consumimos com força. Para ter ideia, a cada 3 brasileiros, 2 estao com endividados. Sao números estatísticos determinados pela economia e nao escrita de um escriba vagabundo, porém cumpridor e sem a mácula dos 2/3, bisbilhotando as dívidas alheias.


Manifesto sobre o Dia da Depressão
                 Considerando que o número de depressivos no país é bastante elevado, digo que os nossos egrégios, eminentes parlamentares estão "dormindo de touca" em não criar um dia especial homenageando essas admiráveis criaturas. Criação do dia, apenas? Não, não só a criação do dia; porque dia por dia, para o depressivo todo dia é dia de depressão, como também promulgar a data, dando a ela total destaque, ao ponto de torná-la feriado nacional. Exatamente o que lestes. Indiscutivelmente, em se tratando de direitos adquiridos, seria a grande revolução no conceito humano brasileiro nos últimos tempos.
        Se promulgada, ficará estabelecido e compromissado que na data, todas e quaisquer vítimas do "mal do século XX", como denominam a doença, sairiam de seus aposentos e desfraldando bandeiras, cartazes com frases de impacto, buzinaço de automóveis, gritando palavras de ordem, por exemplo: "aqui finda, acaba, encerra, morre o segundo, o minuto e a hora passada. Deste instante em diante, em vez de cara amarrada e lágrimas nos olhos, o sorriso para a vida ganhará as ruas do país".
          Como não bastasse, no dia da "Mente Sólida" , em todas as esquinas de ruas e avenidas das cidades, Conferências, Simpósios, Oficinas e terapias de grupo ao ar livre sobre o tema. Entrecortando a programação, teatro com atores que superaram a indolência de ficar na cama dias e dias, meses e meses mirando o teto e paredes dos quartos, encenando a peça: "Depressão nunca mais"; ou "Depressão, por que te odeio!" Ao final, em vez de aplausos e assovios, todos em conjunto, plateia e atores em pé fazem caretas e apontam os dedos médios, como quem zomba de seus algozes.
    Com o slogan: "Venha você também para a praça Renovação e traga mais um!", no dia será terminantemente proibido chorar, ficar parado estacionário no tempo, deitar e dormir simplesmente em recusa às dificuldades e obstáculos cotidianos, dizer que o mundo acabou. Ao contrário de lamentos, tristeza, cabeça baixa e dores, o dia será marcado por alegria, festa, olhar no horizonte, renascimento e vida. Tudo será motivo de recomeço e renovação; pois tristeza e melancolia sorumbática não pagam dívida, nem traz de volta o amor que se foi. Amor próprio acima de todos os amores.
        O Dia da Depressão será a ocasião para o depressivo ser, quem sempre quis ser. Se por acaso, quiseres caminhar pelas ruas engravatados e descalços, com as mãos nos bolsos e luzes neon no corpo, iluminado os vossos passos, faça isto em nome de sua liberdade. Saiba que o amanhã é agora. Se quiseres tomar banho nos chafarizes e fontes das praças, não se acanhe: mergulhe com roupa e tudo nas águas. Porém, se és depressivo pensante mas de pouca ação e ousadia, homens e mulheres, troquem os pés pelas mãos e caminhe plantando bananeira desnudo pelos corredores da leveza libertária. Sobretudo, a loucura escandalosa dos mentecaptos sobrepõe e combate a depressão dos silentes. Avante!
     Comparado ao dia do Trabalho, feriado nacional constituído, data a qual o "trabalhador" brasileiro menos quer é ouvir e falar em trabalho, ficará decretado em caráter irrevogável, que no Dia da Depressão, será terminantemente proibido deprimir-se. Alegria; alegria! Arriba; arriba muchachos; alegria nem que seja por um dia!
      Nesse mesmo dia, será queimado tudo que for concernente a depressão, claustrofobia, esquizofrenia, bipolaridade, síndrome do pânico, paranoias e outras doenças de mente. Não obstante, remédios tarja preta ou outra cor qualquer, bulas, caixas, endereços de consultórios e clínicas médicas, telefones de médicos especialistas e tudo mais, será rasgado e queimado em praça pública. O corajoso que assim fizer, dará adeus, incinerará seus algozes. Arrancará de si as algemas que o prende ao encarceramento psíquico/emocional do "sou inútil e incapaz; ela não me larga, és minha sombra, minha inimiga; ô imbecil, volte lá, rápido, pois você deixou a porta aberta; esse monte de bitucas de cigarros pitados por sei lá quem e jogados nas ruas ainda matarão meus dois pulmões". Chega de ser escorraçado por expressões inescrupulosas proferidas por seus invisíveis e atormentadores anõezinhos psíquicos.
       Apoie essa ideia. Se és depressivo ou conhece alguém que sofre deste mal, dê uma chance à ambos, cobrando e reivindicando dos nossos parlamentares a criação do Dia do Depressivo. E se não és, divida o mérito e a sorte que tens com os demais; apoiando esta causa. Viver em harmonia e alegremente, é uma conquista a ser alcançada por todos. Lutemos por uma causa justa, necessária e socialmente, humanitária.
          Fazendo como proposto neste pequeno artigo/manifesto, além de elevar a auto-estima de quem sofre com a doença, o sano e honesto trabalhador brasileiro contará com um feriado a mais por ano. Enquanto que a depressão econômica passará ser dos patrões e empregadores,  para os  nobres parlamentares criadores das leis e da data, nada? Esses herdarão os votos da grande massa depressiva.    
Mutável Gambiarreiro
Enviado por Mutável Gambiarreiro em 09/12/2018
Reeditado em 18/12/2018
Código do texto: T6522530
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Mutável Gambiarreiro
Jegue é - Tovuz - Azerbaijão
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