Palavra Solta – pela estrada

Palavra Solta – pela estrada

*Rangel Alves da Costa

Pela estrada eu vou semeando. A cada passo, pelos caminhos vão ficando minhas marcas, o que fiz, o que eu poderia fazer de outra forma. Talvez poucos deem importância ao avistar as sementes que vou deixando sobre a terra. Assim como o grão que é lançado sobre o chão, e somente mais tarde brotará em flores e frutos, igualmente o que faço pela estrada. Apenas faço, apenas lanço o grão, apenas cumpro o meu dever de semear. Enquanto filho da terra, sinto-me com a obrigação de semear o melhor grão que eu possua, assim como a retribuição de quem jamais se esquece de seu berço de nascimento. A estrada vai ficando para trás e eu seguindo, seguindo, seguindo. Os que mais tarde seguirão pela mesma estrada, ao avistar os frutos do que foi semeando, haverão de dizer: alguém passou por aqui! E colherão o que melhor havia de mim para deixar.

Escritor

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