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O NOVO ARCADISMO DO CORDEL

A literatura de cordel em alta, vive os seus dias de glória. Não lembro de outro registro histórico de tão fervoroso momento literário poético, que tenha expressado um movimento de tamanha valorização dessa literatura, como o atual. Eu chamaria de “O Novo Arcadismo do Cordel”. A acentuada efervescência poética vivenciada pela nova geração de poetas cordelistas, tem aflorado a arte poética na nossa contemporaneidade de forma estrondosa. Influenciados talvez pelas propulsoras academias de poesias do Brasil, que têm intensificado a valorização dessa cultura, a exemplo da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, ACVPB, que tem motivado uma verdadeira explosão cordelísticas, nos estados do Nordeste e outras regiões, ou pela própria estética musical da Língua Portuguesa, como disse Ariano Suassuna, que “o Português é uma língua musicalística”.
A poesia é a pura expressão da alma, numa linguagem escrita ou falada, num recital que faz o coração anates mesmo que se forme as palavras.
Desde a antiguidade que o filósofo Aristóteles já nos deis através de sua Poética, a importância da valorização da estética para os povos, conservando assim os ares poéticos soprados pela cultura grega.
O evidente é que o vernacularíssimo da Língua Portuguesa Brasileira, favorece livremente o lirismo poético do cordel no Brasil.  Porém, a evidência clara do gosto do povo brasileiro pela poesia popular. O que tem tomado fôlego, nas diversas faixas etárias e nos diferentes níveis e seguimentos da sociedade.
Nos eventos literários de cordel apresentados em ambientes fechados ou abertos, a massificada presença do público tem se mostrada satisfeita. Assim sendo, a motivação às apresentações artísticas tem ascendido o gosto nos poetas a escreverem e declamarem suas literaturas com mais vida.
Tem sido perceptível, a inspiração aflorada pelos ventos da vontade de escrever, que brota como as vertentes dos rios. A rima tem aparecido como água corrente, fluindo no pensamento dos poetas, que versificam tudo o que escrevem ou falam e alimentam o âmago do oceano das massas. No Nordeste brasileiro e especialmente no Vale do Paraíba, nas ruas, praças e nas escolas, trabalha-se, se brinca e ensinando-se o cordel. Cujo elemento nesses dias tem passado a ser o ingrediente que tem temperado os eventos diversos. Esse tipo de literatura que até então havia sido tão pouco divulgada, tem trazido alma nova aos “operários da rima”.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu em 19 de setembro de 2018 a literatura de cordel como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
Fazendo com que os poetas: repentistas, declamadores ou de gabinete, apostem nesse instrumento facilitador de transformação cultural e acreditem no investimento deste segmento literário para um meio de sobrevivência.
Esse Gênero literário é vital na comunicação e tem inspirado nos últimos tempos, teses de doutorado e pesquisas no Nordeste do Brasil e em todo o país. A Academia de Cordel do Vale do Paraíba, em pouco mais de cinco anos de fundação, tem mostrado um grande trabalho através do apoio ao desenvolvimento da cultura da literatura de cordel.
Esperamos que o cordel que outrora foi carregado sobre as asas de pequenos pássaros, a partir de agora, alcance o espaço escolástico, possa alçar voos sobre asas condoreiras com garras e olhares de poderosas águias a disseminar "o sabor pela leitura" e a vontade de escrever, a que surjam grande aedos.

Thiago Alves
A Arte de Thiago Alves
Enviado por A Arte de Thiago Alves em 11/08/2020
Código do texto: T7032795
Classificação de conteúdo: seguro

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A Arte de Thiago Alves
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 60 anos
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