MEU DESFILE NO HOTEL TERMAS DE XANGRI-LÁ

Separei-me em 30 de agosto de 1988, estimo, portanto, que este fato data dos primórdios da década de 90. Era um dia tórrido de janeiro. Na minha casa de praia vigorava a seguinte divisão: janeiro para a ex-esposa e fevereiro para mim, com ou sem os piás. Tempos em que eu diariamente caminhava até depois da plataforma de Atlântida, pela manhã e no fim da tarde, com direito a saudáveis mergulhos no mar, não interessava sua cor. Bem, filho e filha, veraneando com a mãe na casa da Rua Rio Carreiro, 932, pois era mês de janeiro, convidaram-me para almoçar com eles e desfrutar o “findi”. Consegui reserva no tradicional HOTEL TERMAS DE XANGRI-LÁ e lá me fui para o litoral. Depois do almoço e da indefectível “cervejada” ao meio-dia, voltei ao Hotel para a inevitável sesta. Lá pelas cinco horas da tarde, minha filha me liga e pede para informá-la se havia muita gente na piscina do hotel, já que, conforme estivesse o panorama, ela viria me visitar para tomarmos banho e curtir o resto da tarde. Fiquei de conferir e, ainda meio sonolento, coloquei uma camisa aberta de manga curta e dirigi-me ao recanto das águas. Realmente, notei que uma ou outra pessoa me olhava diferente enquanto me locomovia nos corredores, atravessava os espaços e descias as escadas. Fui até a piscina, cheguei praticamente na sua beirada e regressei ao quarto para telefonar à filha informando que havia uma quantidade razoável de pessoas, mas nada assaz volumoso. Somente quando estava próximo a minha habitação foi que me caiu a ficha: eu havia tirado as pesadas calças de brim para dormir e andei por boa parte do hotel só com uma justa cueca “zorba” preta.