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UM MENDIGO DIFERENTE


NO DIA DOIS DESTE ANO, UMA MULHER SIMPLES DIRIGIU-SE, COM ALGUNS ALIMENTOS A UM MENDIGO QUE, FUGINDO DO CALOR, ESTAVA SENTADO SOB UMA ÁRVORE. ERA, DE FATO, UM PEDINTE. NÃO UM INFELIZ VICIADO EM TANTAS DROGAS QUE ESTÃO ESMAGANDO SERES HUMANOS COM OS TENTÁCULOS DA PIOR DAS DESTRUIÇÕES: A DO SER.
ESSE HOMEM, EXTREMANTE MAGRO, MAS COM ROUPAS LIMPAS JÁ TINHA PERTO DELE UMA DESSAS SACOLAS DE PLÁSTICO COM ALIMENTOS.
ACREDITANDO QUE IRIA DAR A ELE ALGUMA COISA DE QUE GOSTASSE, PASSOU-LHE ÀS MÃOS: BISCOITOS, UM VASILHAME COM PAVÊ, QUE ELA PRÓPRIA GANHARA, E FRUTAS. ELE A OLHOU... OLHOU. ERA COMO SE DISSESSE:
- O QUE EU QUERO NÃO É COMIDA. MAS, ELA NÃO ENTENDEU.
ELE CONTINUOU A OLHAR E ELA PERCEBEU QUE SUAS ROUPAS ESTAVAM “ENSOPADAS” DE SUOR. ENTÃO ELE DISSE:
- PRECISO DE ÁGUA. NÃO É SÓ DE COMIDA.
A MULHER, ENVERGONHADA, POR NÃO TER ENTENDIDO, DIRIGIU-SE A CASA E TROUXE-LHE UMA GRANDE GARRAFA DE ÁGUA GELADA COM UM COPO DESCARTÁVEL.
LOGO EM SEGUIDA, ELE FEZ QUESTÃO DE COLOCAR COPO POR COPO A ÁGUA E BEBEU-A LENTAMENTE . O MODO COMO A SORVIA, PARECEU QUE AQUELA SEDE COBRIA MUITOS SÉCULOS, TALVEZ MILÊNIOS. MAS NÃO ERA MAIS A SEDE DELE PRÓPRIO.
DEPOIS, OLHANDO-A DE MANEIRA  MANSA E ÚNICA, QUE NÃO PODE SER DESCRITA, A NÃO SER SENTIDA PELO ESPÍRITO, ESTENDEU A MÃO PARA CUMPRIMENTÁ-LA E, EM SEU ROSTO, JÁ NÃO HAVIA SEDE OU FOME. HAVIA UMA LUZ QUE TUDO  OFUSCAVA QUE LEVOU A MULHER A CHORAR INTENSAMENTE.
- POR QUE CHORAS? UMA VOZ DIZIA: NÃO SABES QUE AS ALMAS TÊM EXISTÊNCIA PRÓPRIA.
HAVIA UMA SUAVIDADE TÃO RARA NO QUE DIZIA QUE MAIS PARECIA VIR DE OUTRAS ERAS OU DO INFINITO.
- NÃO CHORES! A SEDE QUE EU TINHA, TU A APLACASTE. E, SEM NADA DIZER, DESAPARECEU.
SEM DÚVIDA ERA COMO UM ALERTA: “SE A SOMBRA DAS DIFICULDADES SE ABATEU SOBRE VOCÊ, SINTA A NECESSIDADE DE OUTRO CORAÇÃO, DE OUTRA ALMA. DÊ DE BEBER A QUEM TEM SEDE E, ASSIM, ALGUÉM TE AJUDARÁ A CARREGAR O FARDO DA VIDA, POIS TAMBÉM TEU CORAÇÃO SE AQUECERÁ DE ESPERANÇA.
DESDE AQUELE DIA, AQUELE HOMEM NUNCA MAIS VOLTOU A FICAR DEBAIXO DA ÁRVORE. ALIÁS, ELA NUNCA MAIS O VIU. PORÉM, A LUZ EMANADA DAQUELE SEMBLANTE A ACOMPARANHARÁ PARA SEMPRE.
O MAIS CURIOSO, É QUE, NO INSTANTE EM QUE ELA LHE DAVA , HAVIA UMA FAMÍLIA VIZINHA CHEGANDO DE CARRO. ELA - TOLAMENTE - PERGUNTOU SE ELES O TINHAM VISTO NAQUELE DIA . NÃO. NINGUÉM O HAVIA VISTO.
A ELA COUBE O MISTÉRIO DE VER, NO ROSTO DAQUELE MENDIGO, UMA ESCOLHA DE AMOR, NO IMENSO POTENCIAL DE LUZ QUE ESTÁ EM NOSSA MÃOS.
Luandro
Enviado por Luandro em 07/01/2018
Reeditado em 07/01/2018
Código do texto: T6219331
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Luandro
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
215 textos (12110 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/01/20 08:30)

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