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BRANCO É PRETO

                                BRANCO É PRETO                               030.281

Branca é a cor do papel que começa a deslizar sob a pena, a ponta célere da caneta, procurando registrar naquela ideias clarificadas, etéreas, pacíficas, sublimes. E para tudo isto vem o contraste de cores, a tinta preta que nada tem de tétrica.
A noite é escura, é negra numa noite em que a lua não reflete a sua luz. Nem por isto a noite desperta medo. Bem ao contrário, é a noite que o saudável soldado, que não está em guerra com nenhum soldado, vai repousar da árdua batalha que desfiou a cada instante de seu refulgente dia de trabalho, límpido e fecundo.
A guerra, sim, esta amedronta!  Um camponês transfigura-se em soldado, o soldado eleva-se a general e no raiar do dia lá está o soldado-general, cumprindo estranhas ordens, acordando seus pupilos-soldados para que vistam suas encouraçadas roupas brancas, verdes, azuis, de qualquer cor. Depois, a voz brada o comando; “Vamos, vamos à luta! O inimigo poderá estar ainda dormindo! Nós já estamos acordados.”
Se esses inimigos de que se vangloria o soldado-general forem aqueles pontos negros que todos os soldados têm dentro de si, então, não se pode acordar tarde mesmo!
O general é general porque já entendeu que se pode dormir nos pontos negros, é necessário clareá-los. E nada melhor do que a própria luz solar que desponta de madrugada no horizonte para estampar brilho ofuscante naqueles pontos escuros!  A cor sobre a cor. O preto sobre o branco. O branco sob o preto. O general a ensinar o soldado. O soldado a aprender com o general. O soldado-general a comandar suas armas naturais, não mortíferas, mas geradoras de vida, contra todos aqueles inimigos internos e eternos, eternos que seriam se não houvesse a o som de clarins a romper a madrugada anunciando a chegada do rei-Sol, que repousou à noite para haurir forças e luzes (isto para os que dormiram, porque, do outro lado, o sol estava aceso, não dormia). São 24 horas de trabalho por dia, é uma guerra eterna contra a escuridão que campeia onde não haja luz, nem mesmo a artificial.
Branco, preto, soldado, general, sol, lua, dia, noite – contrastes ou extremos naturais, os quais, em análise colorida de amor e paciência, não são contrastes. São polos diferentes que se atraem ao polo comum que os separava, quando os contrastes assim pensavam! Não há contraste, convém repetir, salientar com bastante incisão, para que se fixe o epicentro desta curta caminhada do preto sobre o branco. O branco andou sob o preto (já desde o começo). A luz está onde não está à escuridão, a escuridão não estará onde estiver a luz. Nem mesmo a sombras conseguirão perdurar se não houver um eflúvio de luz para produzi-las. O epicentro é o centro épico que, por floridas que sejam as palavras, não há flores que conservem em si mesmas para serem estendidas ao merecido caminho do ponto central. Ao contrário, foram espinhos. E os suportou.
Por que não haveriam os contrastes de estender-se uns aos outros, então? Centro do círculo circunscrito ao seu centro! Satélites em torno de seus planetas! Os filhos em torno dos pais e Pai!
O branco, desde o princípio, e é fato químico, resume a gama de todas as cores somadas e reflete, sobretudo, a PAZ, mundial que deve ser, sem guerras, sem contrastes.
Um dia eterno de não contrastes...
Tito Vernaglia
Enviado por Tito Vernaglia em 29/09/2014
Reeditado em 29/09/2014
Código do texto: T4980933
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Tito Vernaglia
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 70 anos
171 textos (13278 leituras)
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Tito Vernaglia