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CURIOSIDADES

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Sempre que vou a minha terra natal, Dourado-SP, dificilmente deixo de visitar, nos últimos sete anos, um lugar que parece sombrio mas que, em realidade, é deveras luzidio: o Cemitério de Dourado. Tenho procurado saber porque faço isto e a melhor resposta que encontrei foi a de que, com estas visitas, relembro os mortos que vivos um dia foram e tiveram forte relação comigo. Para exemplificar: meus pais, avós, tios e parentes afins além de, certamente, amigos.
Olhando para os túmulos e sabendo a quem pertencem, logo surgem na mente as histórias ou casos que houve conosco. Para esclarecer este último parágrafo, digo de um túmulo que é o último no caminho de saída ou o primeiro no caminho de entrada. Ali repousam uma senhora e seu pai, a primeira com morte relativamente recente e o outro com morte já há mais um bom tempo. Ambos moravam diante da casa de meus pais na cidade e eram muito conhecidos tanto que meu pai chegou a trabalhar para ele. A filha, senhora muito bonita, morreu de uma forma que, imagino eu, muito sofredora pois portava aquele doença que poucos ousam pronunciar sua identificação. Se eu não estiver errado, foi nos pulmões enquanto que seu pai, da mesma doença, também se eu não estiver enganado, na próstata. Toda vez que passo diante desse túmulo lembro-me da doença que acometeu seus ocupantes...
Já quando estou diante dos túmulos de meus pais, avós e tios não ocorre aquele tipo de pensamento mas um pensamento sobre como eles eram  bons em vida, no bem que faziam às pessoas, nas alegrias que me causavam... Você pode dizer: - Claro, eram seus parentes!
Sim, é fato mas aqueles vizinhos também sabiam sorrir, conversar conosco e, então, como ficamos?  Ficamos sabendo que aquela doença, de tão letal que é, termina por encobrir quaisquer outras lembranças!
Entretanto, há lugar para dizer que, nessas visitas, sempre há tempo de olhar o terreno onde queiramos que seja nossa derradeira morada antes de partirmos para os céus de infinita plenitude ou, se formos contumazes pecadores, porque não pensar no purgatório ou até mesmo no inferno?...
Enfim, visitar um cemitério não é sempre um momento de tristeza: eu creio mesmo que ali é um lugar de reflexões, de passarmos alguns video-tapes de nossas vidas, isto com o propósito de virmos a conhecer quais as reais razões que temos para continuar vivendo...

Sorocaba, 26 de abril de 2014.
Tito Vernaglia
Enviado por Tito Vernaglia em 26/04/2014
Reeditado em 28/04/2014
Código do texto: T4783989
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Tito Vernaglia
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 70 anos
171 textos (13278 leituras)
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Tito Vernaglia