" SERRA NEGRA..."

" SERRA NEGRA..."

A sensação ao desembarcar do automóvel beira à magia da unicidade... Tal qual uma tela imortalizada por um gênio da pintura, a acolhedora cidade interiorana conservara de maneira incólume, e exitosa todo o seu encanto primaveril o qual me encantara desde minha tenra infância...

Na altitude, o majestoso e quase virginal verde da Mata Atlântica protegido pela sábia e imprescindível legislação ambiental parece sorrir ao vislumbrar meu rosto já balzaquiano molhado por minhas poéticas lágrimas... O canto do tico-tico, o piar dos joãos de barro, os voos rasantes dos sanhaços, siriris, bem –te -vis, sabiás e o altaneiro passeio do tucano pelo límpido céu serrano completam a paradisíaca cena...

Ao caminhar pelas ruas de Serra Negra juntamente com minha adorada mãe Yvonne a todo o momento o verde das matas parece tremular sua bandeira... A nobre arquitetura dos novos estabelecimentos hoteleiros, o requinte de suas ambiências, a sóbria beleza do prédio do “Fórum,” a simpatia de um povo que traz na face o resplandecente sorriso de boas vidas agregam-se de modo absolutamente perfeito ao beatífico cenário...

O encontro com amigos de décadas... Em todos os instantes novas amistosas e doces palavras são dirigidas à minha mãe e a mim e até minha gatinha Princesa passa a receber a atenção e o desvelo dos serranos...

_ Quanto tempo! Estávamos perguntando o porquê delas não mais virem para cá! Ou então:

_ Como você está linda, não aparenta nem de longe a idade que tem... Está parecendo uma “estrangeirinha” assim loirinha...

_ Que belezinha sua gata... Mansinha, esperta, dócil...

Ah, Serra Negra... Aqui estou eu, inebriada por sua fragrância de pinho, maravilhada pelo nobre e sobrevivente verde do seu horizonte, cativa do voar de suas aves, hipnotizada pela cor de suas flores, amparada pelo medicinal poder de suas abundantes e curativas águas que brotam incessantemente de suas divinais entranhas... Não adianta, não há mais o que fazer...

Sou filha do mato, em minhas artérias circula errante a clorofila, em meu cérebro os sensores químicos bailam em festa à vista de suas belas imagens...

Meu lugar é aqui... A selva de pedra paulistana, seus eternos e mirabolantes desafios, sua caldeira fria oriunda da truculenta força do poder econômico que edifica sonhos e sepulta a latência da vida jamais me apeteceram e indubitavelmente não fazem parte da minha vida...

Sou serrana, de alma e coração... Nasci paulistana, mas me tornei natural de Serra Negra desde o momento em que conduzida pelas mãos de meus pais hospedei-me, ainda menina na Colônia de Férias da Associação dos Oficiais da Polícia Militar, local de onde meus dedos estão agora a correr como autômatos a redigir as emoções ditadas por meu coração...

Purificada pela brisa recendendo a mato, em total deleite pelo magnânimo panorama que a natureza me oferece, toda e qualquer dúvida se esvai...

Espere por mim, minha idolatrada Cidade Paraíso, minha amada joia incrustada na Mantiqueira... Em breve voltarei, e livre das amarras e nós da megalópole paulistana cumprirei meu destino delineado com a tinta verde em seus mais belos e sublimes matizes...

Serra Negra, 27 de outubro de 2011 (21:19)

Ivone Maria R. Garcia (Ivoninha)

* Nota da Recantista: Agradeço a tod@s amig@s Recantistas pelas palavras a mim dirigidas neste período de ausência...Podendo conheça,a minha amada Serra Negra... Minha "Cidade Paraíso" dista apenas 153 Km de São Paulo...

Que JESUS abençoe a tod@s!

Ivone Maria Rocha Garcia
Enviado por Ivone Maria Rocha Garcia em 03/11/2011
Reeditado em 02/01/2017
Código do texto: T3315263
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