O ODOR DA POESIA
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Eu venho duma cidade
Muito bem organizada
Que teve água encanada
No frescor da mocidade
Para falar a verdade
Bem antes da Capital
Minha cidade natal
Jorrava água nos canos
E abrigava os ciganos
Tinha o maior Carnaval
O Rio d'água salgada
Ajudava a medicina
O olhar negro da menina
A in natura coalhada
E o trem da madrugada
Perturbava o seu apito
Transição do manuscrito
Para a datilografia
O odor da poesia
A cabra lambe o cabrito
Tancredos, Morais, Sivucas,
Santiagos e Ferreiras
E as farturas das feiras
Com as suas mestras-cucas
As duas velhas caducas
Cantavam sem parcimônias
Eu cheio de cerimônias
Perdi tempo sem saber
Que a vida é pra se viver
Com blue lotus, sem amônias