A SAGA DE LAMPIÃO...

A SAGA DE LAMPIÃO!!!

Nesse cordel vou falar

Um pouco de um nordestino

Que nasceu em Vila Bela

E teve um triste destino

Mas foi muito conhecido

Foi herói e foi bandido

Seu nome era Virgulino

Quando ainda era menino

Era pacato e ordeiro

Por ser amante do gado

Foi dedicado vaqueiro

Era um mestre em artefato

De couro e artesanato

E foi excelente tropeiro

Mas pra mudar seu roteiro

E tornar-se um assassino

Temos outro personagem

Um tal, José Saturnino

Que roubava criações

Causador das confusões

Que o fez virar peregrino

Esse furto de caprino

Transformou os ideais

Duas famílias amigas

Passaram a ser rivais

Parece até uma praga

Mas foi o inicio da saga

Que hoje está nos anais

E entre as vitimas fatais

Sua mãe foi à primeira

A morrer nesses combates

Contra os irmãos Ferreira

Que eram cruéis bandidos

Chacinadores temidos

Pela região inteira

Mais uma bala certeira

Que da policia partiu

Durante essa mesma fuga

Seu velho pai atingiu

Que tombou sem esperança

Os três juraram vingança

Assim que ele sucumbiu

E Virgulino assumiu

A frente dessa questão

Recebeu logo a alcunha

Passou a ser “Lampião”

Assaltante e bandoleiro

Esse cruel cangaceiro

Era o terror do Sertão

Se quer uma explicação

Pra esse nome, eis as versões

Pelo que narra a historia

Existem duas razões

Quando na vitima atirava

Sua arma se abrasava

Formando grandes clarões

Mas divide opiniões

E eu estou acreditando

Que essa segunda hipótese

Melhor está se encaixando

Um cigarro foi perdido

Para encontrá-lo, o bandido

Formou um claro atirando

Lampião formou seu bando

Com os irmãos, agregados

Depois primos e amigos

Logo foram incorporados

E assim nesse vai e vem

Eram entre trinta a cem

Homes, todos bem armados

Pelo menos cinco estados

Sofreram as barbaridades

Dos ataques nas fazendas

E em pequenas cidades

Torturavam mal travam

Estupravam, apunhalavam

Com terríveis crueldades

E essas atrocidades

Sem duvidas, não tem parelhas

Cortou línguas, furou olhos

Decepou, braços, orelhas

Eram bárbaros e inclementes

Arrancavam unhas e dentes

Lábios, nariz, sobrancelhas

Com vacas, cabras e ovelhas

Faziam grandes chacinas

Planejavam e consumavam

Enormes carnificinas

A nada e a ninguém temendo

Aprontando e promovendo

Desordens e indisciplinas

E sem ter instruções finas

Mas grande estrategista

Atacava de surpresa

Sempre obtendo conquista

Nos combates com a polícia

Usava toda malícia

De uma maneira imprevista

E por ser idealista

Um dia foi convocado

Para juntar-se ao governo

E pra isso foi bem armado

Mesmo sendo problemáticos

Ganhou fuzis automáticos

E fardamento adequado

Padre Cícero fez chamado

Então Lampião surgiu

O titulo de “Capitão”

Logo a ele atribuiu

E agiu dali pra frente

De acordo com a patente

Que de graça conseguiu

E assim ele se viu

Igual a os faroestes

No ano de vinte e seis

Teve sucesso nos testes

E entre fogos cruzados

Enfrentou os rebelados

Membros da Coluna Prestes

E esses fatos contestes

Está registrado em escrita

No ano de vinte e nove

O seu coração se agita

Aguçando a etopéia

Conheceu Maria Déa

Vulgo “Maria Bonita”

Essa jovem ora descrita

Com destino aventureiro

Era mulher muito bela

Esposa de um sapateiro

Chamado José Neném

A quem deixou com desdém

E se foi com o cangaceiro

E pelo Nordeste inteiro

Participou da ação

Era mulher perigosa

Estando de arma na mão

Atirava e nem temia

Porque sempre obedecia

As ordens do “Capitão”

Porem esse valentão

Sentiu arrochar o nó

No Rio Grande do Norte

Apanhou de fazer dó

Reconheceu o fracasso

E deu a torcer o braço

Na cidade Mossoró

Pra não ir pra o xilindró

De lá saiu na carreira

Por encontrar resistência

Ele e toda cabroeira

Esqueceram a valentia

Correram que até subia

Do chão, nuvem de poeira

Com essa lição grosseira

Quase entrou pelo cano

Sem que soubesse noticias

Dele, se passou um ano

E o povão aliviado

Mas sempre desconfiado

Que estava armando um plano

Mas por ser um veterano

Continuou a rotina

Reapareceu na Bahia

No Raso da Catarina

Seguiu o mesmo compasso

Por lá encontrou espaço

Pois no crime predomina

E essa alma ferina

Tinha vários seguidores

Criminosos assassinos

Bandidos estupradores

Que as vitimas atormentavam

Mal travam torturavam

Levavam a tristes horrores

Corisco foi os temores

Foi um feroz um tirano

Tinha Antonio de Ingracia

Um bandido desumano

Ângelo Roque e Xixabeira

Pai Velho engrossa a fileira

Com Moderno e Mariano

Ainda tem Zé Baiano

Perverso torturador

Malvado, com as mulheres

Não tinha o menor pudor

Impiedoso e imprudente

Marcava com um ferro quente

O chamavam de ferrador

Também tinha Beija-Flor

Medalha, Gato, Avião

Cajueiro e Fortaleza

Pó Corante e Azulão

Revoltoso e Bentivi

Volta Seca entrou aqui

Completando coleção

Não foram só homens não

Que encararam a bandidagem

Tinham mulheres perversas

Que demonstraram coragem

Valentes e destemidas

Que se tornaram bandidas

Formando assim sua imagem

E, diga-se de passagem,

Que nessa corja tirana

Estava Maria Déa

Lidya, Lió também Ana

Tinham Ignacinha e Dadá

Piores que carcará

Oh! Que raça desumana!!

Porém a saga profana

Tava com os dias contados

Lá na fazenda Angico

Ainda estavam deitados

Mas foram surpreendidos

Pelos volantes temidos

Foram mortos metralhados

Depois foram degolados

Com os golpes de um facão

Suas cabeças ficaram

Anos em exposição

Com todo esse estardalhaço

Chegava ao fim o cangaço

E a saga de Lampião

Carlos Aires 27/05/2009

Carlos Aires
Enviado por Carlos Aires em 28/05/2009
Reeditado em 11/09/2009
Código do texto: T1620368
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.