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Ataque Covarde!

               Intimidando para que ficasse calma, em silêncio, acuando que não cacarejasse e pondo duas esporas pontiagudas e afiadas na altura do papo, na tarde de ontem, o galo índio de nome "Soberano", covardemente subiu em cima de uma galinha em praça pública, esporeou-a fortemente debaixo das asas, obrigando-a esparramar a cauda no chão frio, facilitando a bicada ferina dele sobre sua cabeça. O local do acidente, ou do ataque, como queira, ficou marcado pelas penas e pingos de sangue. Hoje de manhã ela irá ao médico fazer exame de corpo delito. Abismados com a frieza do macho impostor, segundo transeuntes, o indecente abuso sexual aconteceu em questão de segundos.
                 Houve tentativa de linchamento pela multidão enfurecida, mas o agressor bateu asas e voou ligeiro, empoleirando no galho mais alto da seringueira que há no local.
        Está previsto em todo país uma passeata "batem asas as ciscadoras" do movimento galinhas amigas. Lideradas por Amélia, a ideia das feministas é chamar atenção dos proprietários de granjas e terreiros livres sobre os constantes ataques, os quais elas chamam de covardia dos machos dominantes.
  Na pauta de reinvindicações está a solitação de direitos iguais, inclusive, de fazer o mesmo com os galos, trepar em cima deles, para bicar-lhes o cocoruto da cabeça. Conforme dizem, "amor, com amor se paga".
    Assumir a paternidade dos pintos em papel assinado em Cartório, bem como auxilía-las na formação, educação e ensinamentos primários dos rebentos; o que elas denominam como "Papai Presente".
                     Exigir dos pais desertores de suas responsabilidades patriarcais que paguem pensão alimentícia, que pode ser em sacos de ração ou milho, para os filhotes deserdados.
       Sob alegação que outras espécies gozam de tal privilégio, as feministas também querem que seja criado um Estatuto específico para a espécie; bem como o Conselho Tutelar dos Pequenos e Indefesos Galináceos.
        Por fim, aumentar a maioridade de abate, que atualmente são 40 dias, para 40 semanas. Conforme as estátiscas, a maioria dos filhotes morrem, precocemente, toram-lhe os pescoços,  sem atingir a maturidade.
Mutável Gambiarreiro
Enviado por Mutável Gambiarreiro em 12/11/2019
Reeditado em 12/11/2019
Código do texto: T6792884
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Sobre o autor
Mutável Gambiarreiro
Jegue é - Tovuz - Azerbaijão
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