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Olá leitores do Recanto das Letras, apresentamos a vocês (sim você leu direitinho apresentamos) um conto ousado delicado que é santo mas beira ao pecado. Dualidade. 
A novidade? Escrito de modo coperativo por três escritores, Waldryano, Éverton e Álvaro. Abaixo vou deixar um print do instagram destes talentos! e o link para a a rede social e a escrivaninha deles. A tua lição de casa é tentar entender quem escreveu cada parte. Posso confiar em vocês nessa?
 
 

Parte 1
"Minha mente lugar da minha dualidade, lugar seguro e perverso onde sou eu de verdade"
 
Eu ia para a faculdade todos os dias, e estudar e cuidar da minha filha amada, era um desgaste que nunca imaginei que teria e apesar de cursar a faculdade dos meus sonhos, que não era muito barata, eu não me sentia realizada por completo.

Sempre me sentia vazia por dentro, mas nunca deixei de ir para minha Igreja, conversar com meu bom e grandioso Deus, buscava por respostas sem nem mesmo ter as perguntas. Acho que devido aos meus pecados, que não eram poucos, Deus me castigava.

No meu bairro eu era muito querida e todos viam meus esforços para manter minha faculdade. Trabalhava durante o dia de meio período, ia para casa estudar e cuidar de minha filha.

A noite, já exausta, ainda ia pra faculdade e sempre achava um tempinho pra Deus. Meus vizinhos me viam como a mulher mais pura do bairro, tudo por causa da minha devoção e louvores que partilhava na minha Igreja.

Acordava cedo nos sábados de manhã e partia direto para o supermercado mais cheio da minha cidade pra ficar lá na porta com uma camisa da S.S.V.P ( Sociedade São Vicente de Paula) arrecadando alimentos para doar aos mais pobres.

Me orgulhava muito disso e sempre ensinei minha filha que a caridade era o mais nobre ato de amor com Deus, afinal, nossos irmãos são a perfeita semelhaça de Deus. Tinha dias que conseguia arrecadar muitas cestas básicas, até por que, eu era bastante conhecida, no meu bairro e no bairro da minha faculdade (apesar de sempre me esconder do pessoal daqueles cantos), e isso me deixava muito feliz.

Como disse, eu tinha muitos pecados e implorava a Deus, sempre ajoelhada diante dele, no Santíssimo Sacramento e eu via ele presente lá, com uma luz vermelha que simbolizava isso.

Apesar de ser uma simbologia de respeito na Igreja Católica, eu conseguia sentir ele lá, me culpando de tudo que era errado, que eu sabia, mas continuava a fazer, por que precisava. Dinheiro não cai do céu não é mesmo?

— Deus, sei que não sou uma boa pessoa pelas coisas que faço, mas estou aqui de joelhos lhe pedindo perdão, lhe suplicando para que não roube a felicidade da minha vida ou a menos me alimente de fé e tenha a misericórdia de me manter viva para que Francine consiga viver tudo aquilo que eu não pude.

Não sou merecedora de nada, sou pecadora e reconheço isso diante de ti em todos os momentos da minha vida.

– É incrivel como as pessoas pedem tanto perdão a Deus mas não estão dispostas a mudar, acho que Carla se sentia vazia por isso, por sempre pecar para conseguir uma renda para pagar a sua faculdade. Será que vale trocar a alma por um pedaço de papel e uma profissão?

Naquela noite, na faculdade ela não parava de pensar nas contas a pagar. Ela saiu mais cedo, decidida a ganhar um extra naquela noite mesmo, como todas as outras.
 

 Parte 2
"Meu corpo, sim, tudo que tenho e possuo é o meu corpo, e através dele expresso os meus sentimentos mais santos e ousados. Outrora neste momento não posso ser o que queria ser, mas o meu ser pede. Pecado"
 
Olhava para ele, um homem qualquer esta a usar o meu corpo e me sinto um objeto.
 
— Beije-me. — disse ele de um modo torpe e nojento. Sorri, ele pagava bem e era necessário entender o quanto precisava daquela grana.
— Você pagou trezentos, beijo não rola.
 
— Pare de lero, lero guriazinha, trezentos é um valor alto para uma igual você.
Deixei ele continuar, queria terminar logo com aquele porco e voltar para a praça e receber outro cliente a faculdade não espera o leite de Francine não espera.
 
Com muito custo ele terminou.
Ao chegar ele veio e perguntou:
 
— Da próxima vez seja mais rápida, precisamos fechar com cinco clientes por noite. Ferdinan era muito exigente com o horário, tirou uma nota de 100 e deu o restante, pagar alguém para cuidar da gente na noite é quase como uma necessidade fisiológica. Ao dar a sua parte perguntei:
 
— Quem anda beijando os clientes.
— Não sei a Faby penso eu.

Ela que sabe, já lhe falei se pegar algo ela some daqui. E você usou os preservativos e nada de fazer você sabe o que, acaba com moças como você, aindas é uma das mais bela da praça.
 
A peruca coçava um pouco, loira de noite era necessário para as minhas dualidades. Liguei o celular e esperei a mensagem ficar azul ela tinha lido.

— Eu? atendido quatro clientes e depois de ler aquela mensagem fiquei desesperada precisava sair urgente dali, o B.O era com a Francine minha filha.
 
Ele me olhou de longe direcionando o próximo cliente, fiz sinal que não. Veio então com violência. Ferdinan é doce, porém quando se trata de dinheiro, ele vira um cavalo ríspido e estupido.
 
Era a minha mãe, que estava a me chamar via celular, ela sabia perfeitamente que estava "estudando" e aquele horário era o da "condução".

Ferdinam me liberou, meio a contra verso, fui correndo pegar um ônibus era a minha filha que estava na emergência de um hospital.

 
Parte 3 
"Meu corpo, minha mente, meu pecado e minha santidade"

Eu cheguei às pressas no hospital, o ônibus passou rápido e o trânsito estava tranqüilo o que facilitou minha rápida chegada. Já dentro do hospital no corredor após a recepção, lá estava ela, minha mãe claramente preocupada e tentando arrancar de qualquer jeito informações de uma enfermeira, quase que a intimidando.

Ao chegar perto, ela me abraçou tentando me reconfortar ou poderia ser até mesmo o contrário, pela tamanha preocupação que ela demonstrava.

— Venha comigo. Disse ela parecendo já saber onde deveria ir para vermos a minha filha.

Já no setor do CTI, uma médica já se preparava para adentrar na sala de cirurgia, ao mesmo tempo conversava com o que parecia aos meus olhos uma cirurgiã assistente.

Mesmo cochichando, eu pude perceber o nome de Francine sendo dito. Neste mesmo momento corri em direção a elas e logo na abordagem, sem menos que eu pudesse dizer algo, a médica na qual recebia informações da outra falou:

— Estou sem tempo dona, irei fazer uma cirurgia e preciso ir o mais rápido possível!

Ao ouvir isso, logo exclamei:

— Sou a mãe de Francine!

Ela se virou olhando para mim e por 3 segundos manteve um silêncio, até que disse:

— Pois bem, sua filha foi atropelada e está com ferimentos graves.

Ao que tudo indica quebrou alguns ossos e isso pode ter perfurado algum órgão.

Felizmente ela foi socorrida as pressas pela mesma pessoa que a atropelou, enfim, com licença, tenho uma vida a salvar!

Sem entender muito bem me virei para minha mãe. Ela me pedia desculpas. Explicou me que teve alguns segundos de desatenção enquanto iam no supermercado e Francine acabou atravessando uma rua correndo em direção a uma coleguinha que tinha avistado e foi nessa hora que o acidente ocorreu.

Preferi não estender aquele assunto, pois minha mãe já estava se culpando demais e não queria piorar ainda mais a situação.

Enquanto esperava noticias, estava andando de um lado para o outro, já não me lembrava mais das contas que tinha para pagar, da faculdade, dos meus clientes noturnos, nada do meu cotidiano.

Mas o que não me saia da cabeça era minha filha, e tudo o que sabia fazer era orar e pedir a Deus para que o pedaço da minha vida não fosse tirado de mim.

Os minutos se passavam e parecia que aquele lugar ficava mais frio a cada minuto, talvez fosse o clima pesado dos sentimentos tristes de pessoas preocupadas com seus entes queridos, ou talvez fosse a forma de Deus me mostrar que todo aquele momento que estava passando, eram as consequências da vida que escolhi para mim, eu sabia que um dia seria cobrada por meus pecados na prostituição, mas não esperava que fosse ser tão rápido, eu já nem sabia mais o porque de seguir a vida dessa maneira.

Continuei a orar e pedir tantos perdões que por vezes comecei a me culpar por todas as vidas que indiretamente eu poderia estar destruindo enquanto me prostituía. Depois de alguns momentos nesse martírio mental, comecei a simplesmente me questionar se conseguiria ver minha filha novamente.

Duas horas se passaram e eu continuava em silêncio apenas perdida em meus pensamentos, até que perguntei minha mãe:

— Quem é o motorista que atropelou Francine?

— Um moço até gentil por sinal. Chama Marcelo, um pouco velho e fez de tudo para que ela pudesse ser atendida de maneira rápida...
Ela hesitou por um momento e continuou: 

– Ele é até marido da cirurgiã que foi operar Francine.

Por um momento eu me senti aliviada, por sorte o motorista tinha uma esposa médica, mas ainda sim me sentia incomodada com tudo aquilo, pois ao mesmo tempo em que queria detalhes eu não queria saber nada.

Minha mãe até tentou continuar me explicando, mas com um simples gesto com a mão para cima indicando “PARE” e um suspiro forte junto aos meus olhos fechados, foi necessário para que ela não continuasse.

Depois de alguns momentos a médica saiu da sala com um semblante neutro, não sabia se era bom ou ruim. Um momento de aflição com certeza, pois queria receber a notícia que minha filha estaria bem. Logo sem se estender ela foi logo e disse:

— Ela está bem! – disse sem muita emoção.
– Vamos continuar essa noite observando sua filha, mas daqui umas horas você poderá vê-la.

Eu lhe dei um abraço bem apertado e lhe agradeci, não sei se podia, mas não queria saber, agradeci muito ela e demonstrei isso lhe dando outro abraço forte, logo sua feição de felicidade também apareceu.

Ao sair andando a médica foi abordada por um homem logo à frente no corredor, tentei ver do que se tratava, talvez fosse ele quem tivesse se envolvido no acidente com minha filha, e minhas suspeitas se confirmaram quando minha mãe tocou no meu ombro e disse:

— Aquele é Marcelo, o homem que atropelou Francine.

Eu não era muito boa com rostos, mas aquele homem era me familiar, estava distante e ainda não dava para ter certeza, talvez um conhecido da faculdade, da igreja, mas era certo que já tinha o visto.

Ele se despediu da médica com um beijo e começou a caminhar em nossa direção. A medida em que foi se aproximando, ele foi ficando com os olhos estarrecidos e quando chegou perto o suficiente me lembrei de onde o conhecia.

Marcelo, casado, três filhos, um pouco mais velho, se eu contasse não caberia nas mãos as vezes que nos vimos... Um cliente fiel, cuja esposa acabou de salvar a vida da minha amada filha.

Fim

<175o palavras, Gênero Suspense> 

 

 

 

 

 

 
 


Gostaram? Que tal conhecer melhor o trabalho e o perfil de cada escritor?  Em meio a correria que é viver, jovens reservam um tempinho de sonhar, enredar, bora conhecer!!!


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Acabou? Nóis que é chick (kkk) e vcs que merecem, fizemos uma segunda opção de capa, fica aqui como The end ou até logo... Edição e diagramação do texto e capas, o Waldryano... 

 
Waldryano
Enviado por Waldryano em 21/05/2020
Reeditado em 22/05/2020
Código do texto: T6954080
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Waldryano
Telêmaco Borba - Paraná - Brasil
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