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INUNDAÇÕES; Pedindo  ajuda dos céus.
 
Naquele dia um temporal desabou, essas águas invadiram o meu território, encharcaram meu coração, eu fiquei triste e só observava. Quando as lágrimas dos olhos da menina rolaram daquela face meiga e formosa, senti que ainda a tristeza estava comigo, o amor que existia em meu ser continuava apegada aos tentáculos do meu coração, além da pobreza que fazia presença naquele cenário sombrio dona Stela continuava de pé ali naqueles derredores, Pedrinho e a mais pequeninha Fabiana enganchava nos braços daquela mamãe que os tomavam no confortável colo de guerreira que não desistiu de salva-los da morte. Esse fenômeno da natureza foi impetuoso e impiedoso, muitos morreram naquelas águas.

- Mamãe, pra onde foi o presépio, o menino Jesus que estava armado na pracinha de frente de nossa casa? (disse Pedrinho emocionado de mostrando uma face toda banhada de lágrimas naquele semblante de criança.)

- está todo o baixo d’água, se contente com isso meu filho, nosso problema não é tão crítico como a situação de dona Alzira, morreram o vovô e o neném ainda engoliu um pouco de águas, está internado e nem sabe salvará. ( a mamãe tocou as costinhas do menino em formas de consolar o pequenino.)

- Mamãe, dona Alzira tá cantando, parece que ela não se entristeceu só se for de sofrimento que ela canta assim tão choroso. ( o menininho ainda continuava com suas perguntas curiosos, mas sua mamãe continua respondendo com verdadeiras respostas)

- é verdade filhinho, ela continua soltando a voz, mas não está cantando qualquer música, ela está orando, louvando a deus, muito cheia de fé, apesar da tragédia, diz que é vontade de deus, tem que ter muita frieza no coração para aceitar tudo isso assim tão desastroso.

- o deus dela é muito maldoso, não é mamãe? Ainda bem que a senhora não tem esse deus malvado matador de criança e velhinhos que diz que manda essas chuvas tempestades. ( disse o menininho com palavras inteligente)

- fique tranquilo meu querido, não sou de ficar aí com essas devoções, quando cheguei do norte procurava esses tabernáculos a fim de me encontrar com esse deus que só faz maldades, mas não me encontrei, certeza que esse não existe, fiquei por alguns meses frequentando essa casa do senhor mais não me obtive resultados, tudo que eu consegui foi resultados de meus esforços, pra ti falar a verdade sofri muitos prejuízo colaborando com a caixinha da igreja, aquele maldito líder religioso embolsava toda ajuda em oferta que os fiéis depositavam ali naquele receptáculo feito sexto, dizia que todo dinheiro era para Jesus, depois que eu saí dessas igrejas me sinto livre, me dá uma sensação de liberdade gloriosa, agora estou vivendo minha verdadeira vida que é só minha.

Dona Stela falava como se estivesse dirigindo a palavra a um adulto inteligente, mas aquela criança não tinha condições de entendê-la em tudo que ela falava, mas a mamãe Stela continuava se desabafando, jogando pra fora tudo aquilo que sentia entalada na garganta.

Apesar de incrédula se salvou dessa enchente, a água invadiu sua humilde casinha, mas logo vazou por outro terreno mais rebaixado, ela consegui se livrar das enxurradas e a vida voltou o normal, enquanto dona Alzira perde seu pai e seu bebê mais novo, as aguas dessa tempestade os arrastaram para essa correnteza bravia, apesar de toda a sua fé forte e dedicada dona Alzira não conseguiu salvar esses seus entes queridos, só as orações não foram o bastante para recuperar a vida de seu pai e seu filhinho.

Logo se percebe que a fé não passa de uma anestesia para os sofrimentos, dona Alzira devia agir mais, ao invés de ficar estática contando para que virá um recurso divino assistindo as tragédias acontecer, diferente de dona Stela que agiu, colocou sua mão à obra e saiu vencedora triunfante nessa ameaça a sua vida por essa catástrofe da natureza.

a/h/p* 19/12/2019.
Antonio Portilho
Enviado por Antonio Portilho em 19/12/2019
Reeditado em 20/12/2019
Código do texto: T6822277
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Portilho
Andradina - São Paulo - Brasil
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