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Maria Cecília de Abrandes, não percebeu que estava só no jardim de cristal da mansão. Durante boa parte da manhã, ela brincou com os sobrinhos, Felipe e Doralise, meninos travessos de sua irmã Delguimar. Estava sentindo-se muito feliz. O que ela não sabia era que todos iriam viajar para o litoral esquecendo dela.
Seus país resolveram passar alguns mêses na praia para esquecerem da triste morte de Valfredo Abrantes, filho caçula que morreu tragicamente.
Delguimar tinha dispensados todos os criados após o almoço. Maria Antonieta de Gusmão, a governanta, uma mulher de estatura média, cabelos crisalhos, acima do peso, voz rouca e uma sensualidade artificial, que já trabalhava na mansão há muitas décadas se sentia superior aos patrões porque tinha tido um relacionamento amoroso com o patrão e sua patroa nunca havia perdoado, e registrou como filho, porém não perdia a oportunidade de humilhar a governanta, que sabia de muitos segredos.

Virgílio e Moema Abrantes já estavam em um dos carros, quando:
- Por onde anda Maria Cecília? - Perguntou Delguimar para Túlio, o chover, homem fechada e muito simpático. - Diga? - Perguntou áspera.
- Não sei senhora.
Ao escutar, a governanta, com um olhar penetrante, fitou-a, paralisando a autoritária e orgulhosa Delgumar.
- Ele se foi logo cedo. - Antes de Delguimar responder, retrucou a velha senhora: - Eu vi. Foi com Manfredo Leal e seus filhos.
Interrompeu uma das criadas que já estava em um dos carros.
- Ela estava no pátio interno brincando com as crianças. Era na faixa das 09h00... 
- São quase duas horas. - Delguimar contrariou a moça.
- Ela se foi. - disse a governanta.

Maria Cecília, não havia almoçado, depois de ter brincado como as crianças fez um lanche rápido na cozinha, tomou seus remédios, e como um relâmpago avisando a chuva, resolveu ir até o salão do pátio para pegar uma lã, pois, ela queria terminar o cachecol no período que passaria no litoral. Então foi até o palácio de cristal no jardim interno. Entrou e esqueceu a chave por fora, tropeçou bruscamente para frete e caiu dando duas rápidas cambalhotas pela escada um pouco íngreme. Acortou por volta das 17h 45, ficou assustada, começou a gritar desesperada, ouvia um som distante, um penumbra de luz, depois, um som de carro partindo, sentiu-se só...Morreu fazendo fios de novelos de lã e cantando uma singela canção.

O telefone...
- Alô! - ainda um tanto sonolenta.
- Oi, escuta...
- A menina Cecília resolveu ficar - Bocejou, quase sorrindo do seu apartamento no Balneário Camuriú.
- Ficar?!? - Perguntou Horácio estranhando - Por que?
- Ela disse que queria ficar com a memória do irmãozinho que morreu no assidente... - a sonorização do 'morreu' foi o fim da ligação num gargalhada horripilante.



Sérgio Gaiafi
Enviado por Sérgio Gaiafi em 14/10/2019
Reeditado em 15/10/2019
Código do texto: T6769799
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Sérgio Gaiafi
Campina Grande - Paraíba - Brasil, 53 anos
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7 e-livros (92 leituras)
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Sérgio Gaiafi

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