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OS SINAIS (mini conto)


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O poetinha já dizia:
“Em tudo ao meu amor serei atento...”
                          (Vinícius de Morais)
  
Mas, não havia poesia em nossa vida, você não percebia os avisos do fim,  já tão próximo. Nada de segredos velados, baladas na escuridão, nada de símbolos nórdicos, nem sequer túmulos a visitar. Só permaneciam vivos os negros olhos a me fitar, gélidos, profundos  e introspectivos, a me invadir o espectro. Cansada de caminhar vadia, por becos abafados e noturnos, vendo gente bêbeda a se conspurcar, vândalos rotineiros em seus botes surdinos,  damas tardias a se vender pelas esquinas pardas e mudas. Nem mais sentia meus pés botinados no calçamento da rua. A maquiagem pesada, já borrava a face inteira, mais parecia a máscara da desilusão e sem saber o porquê dessa dor, que dilacerava meu peito, eu seguia, seguia, sem chegar a lugar nenhum, nada me confortava. O fim já havia acontecido, o delírio acabara, o Outono chegara, as folhas caíram, o tempo fechara, mas, apesar de todos os sinais, não consigo tirar você do pensamento. Volta Renato, volta! Volta pra sua Dafne, eu rastejarei até onde você estiver, preciso de novo de seu abraço frio, do seu beijo dormente e dessa fome desesperada de me abrir em metades no leito...
 
Cristina Gaspar
Enviado por Cristina Gaspar em 05/11/2016
Reeditado em 14/11/2016
Código do texto: T5814388
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Cristina Gaspar
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 62 anos
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Cristina Gaspar