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JESUS SABE QUEM TEM FÉ


QUANDO ESSA SENHORA CONTAVA ESTA HISTÓRIA NÃO O FAZIA SEM QUE AS LÁGRIMAS BROTASSEM DE SEU ROSTO COM QUASE OITENTA ANOS, MAS QUE AINDA DEIXAVA VER A BELEZA COM QUE DEUS O MOLDARA
ERA NATAL, HÁ MUITAS DÉCADAS, EM UMA ALDEIA PEQUENINA COMO SÓ DEUS SABE FAZER NOS RECANTOS MAIS ACOLHEDORES DO MUNDO E AS ESCONDE PARA QUE SEUS MORADORES, SEM O SABER, POSSAM VIVER EM MUNDO MUITO ESPECIAL.
NO ENTANTO, NESSE RECANTO TÃO FLORIDO COMO ENGALANADO DE GRANDE ÁRVORES FRUTIFERAS E CERCADO DE FLORESTAS, ERA DEZEMBRO. O FRIO APRESENTARA-SE COM UMA FORÇA QUE HÁ MUITO NÃO TINHAM VISTO. NEVAVA. TEMPERATURA BEM ABAIXO DE ZERO.
MAS, UMA JOVEM MÃE, QUE AINDA NÃO FIZERA VINTE ANOS, LIMPAVA A GRANDE CASA DE PEDRA, DEIXANDO TUDO BRILHANTE COM UM ODOR SÓ SENTIDO PARA QUEM – UM DIA – TEVE O PRIVILÉGIO DE VIVER ALI. ELA TINHA UM PEQUENO MENINO, DE RARA BELEZA(AMBOS, HOJE, JÁ EM OUTRA DIMENSÃO). PORÉM, COMO MÃE SOLTEIRA, NA CONCEPÇÃO ERRÔNEA DO PAI E ÚNICA MULHER PRESENTE, VISTO QUE OS DEMAIS FILHOS, JÁ TINHAM SUAS VIDAS, ERA COMO UMA ESCRAVA E AINDA APANHAVA COM A PESADA BENGALA DE MADEIRA DO PRÓPRIO PAI. POR QUÊ. TORNARA-SE UMA MULHER “FALADA” NA ALDEIA, POIS O RAPAZ COM ELA NÃO QUISERA CASAR. A ESSA ALTURA JÁ TINHAM POUCAS TERRAS( POUCO DINHEIRO). HAVIAM PERDIDO QUASE TUDO. E SEMPRE EXISTIRÁ, NAS FAMÍLIAS – ATÉ AS CONTEMPORÂNEAS – O ETERNO CONFLITO ENTRE O TER E O SER.
DEPOIS TER SIDO EXPULSA DE CASA, AGORA, TUDO ELA APRONTAVA PORQUE TINHA UM TETO E ALIMENTAÇÃO RACIONADA PARA SEU PEQUENO FILHO, OU MELHOR, ERA A ELA DADO O DIREITO DE DORMIR NA COZINHA – COM A LAREIRA APAGADA PARA ECONOMIZAR LENHA, AINDA QUE A TEMPERATURA A FIZESSE CHORAR DE FRIO E AGARRAR-SE À CRIANÇA PARA QUE ELE NÃO SENTISSE AS AGRURAS POR QUE PASSAVA.
EM UMA NOITE DE TEMPERATURA TÃO BAIXA QUE NÃO MAIS SUPORTAVA ELA SE PÔS DE JOELHOS E PEDIU A JESUS-MENINO QUE A AJUDASSE. LOGO DEPOIS, COMO SE UMA LUZ A GUIASSSE (ELA VIU O CAMINHO E A CASA COM MUITA NEVE), DIRIGIU-SE AO CHAMADO PALHEIRO, ONDE É GUARDADA A COMIDA PARA OS ANIMAIS, INCLUSIVE A PALHA ESPECIAL PARA OS POUCOS BOVINOS RESTANTES. ELA PARA LÁ FOI. PROCUROU, SEM MUITO DESARRUMAR, FAZER UMA CAMA DE PALHA PARA ELA E O MENINO. NÃO LEVAVA QUALQUER LAMPARINA PARA NÃO CHAMAR ATENÇÃO. ERA DEUS, ELA, A CRIANÇA . O FRIO E A ESCURIDÃO.
AO ENCOLHER-SE NAQUELA CAMA RÚSTICA E IMPROVISADA, PEDIU A DEUS QUE LHE CONCEDESSE UM PRESENTE DE NATAL: UM COBERTOR BEM PESADO E QUENTINHO QUE A AQUECESSE E A AJUDASSE, POIS SENTIA QUE SUAS FORÇAS ERAM PEQUENAS, ENQUANTO O PAI E OUTRAS PESSOAS DORMIAM TRANQUILOS NOS QUARTOS ( A CASA TINHA VÁRIOS). SÓ ELA NÃO PODIA, POIS TINHA QUE SER CASTIGADA PELO ERRO COMETIDO.
ASSIM, ADORMECEU. EM TORNO DAS QUATRO E MEIA DA AMANHÃ ACORDOU E VIU QUE ESTAVA COBERTA COM UMA MANTA TECIDA DE UMA LÃ QUE ANIMAL ALGUM DAQUELA ALDEIA PRODUZIRA E SEU FILHINHO TINHA UM CASACO PRÓPRIO PARA LUGARES FRIOS, ALÉM DAS MEIINHAS NOS PÉS QUE SEMPRE ANDAVAM SEM ELAS E OS SAPATINHOS JÁ RASGADOS, ERAM OUTROS.ALÉM DISSO, PARA ELA, HAVIA UMA CAPUCHA, DOBRADA, COMO SE A ESPERASSE PARA AS ATIVIDADES DO DIA ( UM AGASALHO TÍPICO PARA AQUELES LUGARES FRIOS).
ELA DOBROU A MANTA E A ESCONDEU EM LUGAR QUE SÓ ELA SABIA, LEVANTOU-SE. PEGOU O PEQUENO E FORAM PARA A COZINHA, ESTENDEU UMA COLCHA COMUM NO CHÃO E O MENINO QUENTINHO CONTINUOU A DORMIR, ENQUANTO ELA COMEÇAVA AS SUAS ATIVIDADES.
CLARO QUE O PAI E OS DEMAIS NÃO SE CONTIVERAM COM A PERGUNTA: “QUEM TE DEU ESSE CASACO PARA O GAROTO, AS MEIAS, OS SAPATINHOS NOVOS E ESSA CAPUCHA”. “ FOI ALGUM DOS TEUS AMANTES”? ELA NÃO TINHA NINGUÉM, EMBORA PELA BELEZA, PUDESSE TÊ-LOS E NADA LHE FALTARIA.
ELA SÓ RESPONDEU AQUILO COM QUE SONHARA:
- ONTEM, PASSOU POR AQUI UM SENHOR DE PELE MORENA, UM OLHAR COM UM BRILHO QUE NUNCA VI E DE SANDÁLIAS, COM MUITAS PESSOAS A ACOMPANHÁ-LO E ELE ME DISSE:
- FICA COM ISSO, MENINA. DE ONDE VENHO E PARA ONDE VOU É MUITO LONGE E NÃO HÁ FRIO. EU ACEITEI.
O PAI DELA - QUE ERA MEU AVÔ E O MENINO MEU IRMÃO – CALOU-SE. NADA DISSE. OLHOU PARA O CÉU NUBLADO E A NEVE CAINDO E SORRIU - COMO SE COMPREENDESSE ALGUMA COISA.
OS DIAS PASSARAM. NOITE APÓS NOITE. ELA DORMIA NO PALHEIRO. A MANTA ESTAVA SAEMPRE EM LUGAR DIFERENTE E NINGUÉM A ENCONTRAVA . SÓ ELA. ATÉ QUE UM DIA O PAI FICOU PARALÍTICO E ELA FICAVA COM SEU RAPAZINHO EM UM DOS QUARTOS, CUIDANDO DO MEU AVÔ ATÉ O FIM.
 
Luandro
Enviado por Luandro em 09/12/2018
Reeditado em 12/12/2018
Código do texto: T6522866
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Luandro
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
215 textos (12121 leituras)
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