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UM BAILE DE ONDE NINGUÉM SAÍA



ERA QUASE MEIA NOITE. A MÚSICA COMEÇOU NAQUELA CASA QUE PARECIA UM CASTELO NEOCLÁSSICO. NA VERDADE, DURANTE O DIA ESTAVA EM RUÍNAS. NOS PRIMÓRDIOS DA DÉCADA DE 60, QUASE NÃO HAVIA CASAS NAS REDONDEZAS. POR ISSO, SEGUNDO SE FALAVA: “EVITE-SE PASSAR POR LÁ EM PLENA SEXTA-FEIRA, AINDA MAIS SE FOR A PRIMEIRA DO MÊS E SE FOR MADRUGADA. COM O DESCONHECIDO NÃO SE BRINCA.
AQUELA CONSTRUÇÃO GANHAVA VIDA. TRANSFORMAVA-SE. FICAVA MARAVILHOSAMENTE BELA, COMO SE RECUPERASSE O QUE FORA EM OUTRAS ÉPOCAS. PARECE QUE, NO LOCAL , TINHA EXISTIDO UM BELO CASTELO DE VERDADE, PERTENCENTE A DUQUE.
NA VERDADE, ERA O INICIAR DO BAIRRO DE RAMOS. NAQUELE TEMPO, HAVIA RUAS SIMPLES E LINDAS,TODAS AJARDINADAS E, SEM DÚVIDA, UMA TRANQUILIDADE QUE PAIRAVA NO AR, ESPARGIA-SE PELAS FLORES E IA PERFUMAR AS CASAS DE JANELAS E PORTAS ABERTAS ATÉ TARDE DA NOITE.
PORTANTO, O LUGAR DE QUE SE FALOU NO INÍCIO NÃO ERA EXATAMENTE O QUE HOJE É RAMOS. O CASTELO FICAVA NO ANTIGO CAMINHO DO ITARARÉ, MAIS ESPECIFICAMENTE, HOJE MORRO DA BAIANA, QUE COMPÕE O COMPLEXO DO ALEMÃO. FICAVA BEM NO ALTO E NÃO HAVIA - AINDA – QUAISQUER CONSTRUÇÕES VIZINHAS. O LUGAR QUE DEU ORIGEM AO CHAMADO “MORRO DO ALEMÃO” SÓ TINHA UMA CONSTRUÇÃO, BRANQUINHA, QUE ERA DE UM POLONÊS, DE ACORDO COM O QUE FOI CONTADO.
O FATO É QUE ERA UMA SEXTA – FEIRA, A PRIMEIRA DO MÊS DE AGOSTO DE UM ANO QUALQUER DA DÉCADA DE SESSENTA. O QUE SE VIA, NAQUELE LUGAR ERA, NO MÍNIMO ESTRANHO: CASAIS CHEGANDO EM CARROS DE LUXO, QUE NÃO CONDIZIAM COM O ANO EM QUE SE ESTAVA. AS ROUPAS ERAM DE TECIDOS TÃO FINOS QUE SURPREENDERIAM QUALQUER GRANDE COSTUREIRO, MAS TAMBÉM OS MODELOS ERAM DIVERSOS. PARECIAM TER SAÍDO QUADROS DE OUTROS SÉCULOS E, AGORA, SUBIAM AS ESCADARIAS, LADEADAS DE FLORES E ILUMINADAS NÃO SE SABE COMO, POIS POR ALI NÃO EXISTIA ILUMNAÇÃO ELÉTRICA NAS RUAS.
COMO JÁ SE DISSE, SUAS ROUPAS ERAM ELEGANTES DEMAIS E AS “PESSOAS” – SERÁ QUE ERAM?- TINHAM COM UM QUÊ DE ASSUSTADOR. NÃO SORRIAM. PARECIAM QUE SE DESLOCAVAM NO AR. NÃO SUBIAM. ERAM LEVADOS POR ALGUMA FORÇA. TODOS EXIBIAM JOIAS CARAS E OS MOTORISTAS FICAVAM À ESPERA DELES, PARECENDO ESCULTURAS DE CERA. QUEM, POR ALI SE ATREVESSE A PASSAR NÃO OUVIRIA UMA SÓ PALAVRA. ALIÁS, SERÁ QUE FALAVAM?
AS PESSOAS HÁ MAIS TEMPO NO BAIRRO GARANTIAM QUE, NAQUEL LUGAR, REUNIAM-SE AS PIORES CRIATURAS DO RIO DE JANEIRO. TINHAM SIDO EXTREMAMENTE CRUÉIS E RICAS. OS MALES QUE TINHAM FEITO ERAM INDESCRETÍVEIS. DIZEM QUE, UM DIA, POR ACASO, UM TRABALHADOR, VINDO TARDE DA NOITE, ENCONTROU COM DAQUELES CASAIS INDO EMBORA . O MOTORISTA ESTAVA ABRINDO, MAQUINALMENTE , O AUTOMÓVEL. SÓ QUE O TAL CASAL NÃO TINHA FEIÇÕES ALGUMAS. NO CARRO, PARECE QUE SÓ ROUPAS ENTRARAM.
ESSE ASSUSTADOR BAILE COMEÇOU. AO QUE PARECE, A ORQUESTRA ERA MARAVILHOSA, POIS TODOS ROPIAVAM SEM PARAR. PELAS INÚMERAS JANELAS, DAVA PARA VER QUE OS CASAIS DANÇAVAM COMO SE EMBALADOS POR UMA MÚSICA ETÉREA.
SE ALGUNS MINUTOS PARAVAM, VIAM-SE PESSOAS A SERVI-LOS COM REQUINTE. O CURIOSO É QUE NADA ACEITARVAM(PODERIAM ELES ALIMENTAR-SE?). SUA MISSÃO ERA DANÇAR E DANÇAR. E, MADRUGADA A DENTRO ASSIM CONTINUARIA.
ACONTECE QUE UM GRUPO DE OUSADOS JOVENS, RESOLVEU BRINCAR COM O AVISO QUE RECEBERAM.
COM UM CARRO – NAQUELA ÉPOCA ALUGADO – BEM VESTIDOS (TINHAM PEDIDO ROUPAS A AMIGOS) CHEGARAM E RESOLVERAM SUBIR AS ESCADARIAS ILUMINADAS E REPLETAS DE FLORES LINDÍSSIMAS. SUBIRAM E ENTRARAM. O BAILE RECOMEÇOU.
DE REPENTE, GRITOS HORRENDOS SE OUVIRAM. NUNCA MAIS AQUELES RAPAZES VOLTARAM.
AO OUTRO DIA, NÃO HAVIA - SEQUER – RESTOS DE FLORES. SÓ O CASTELO EM RUINAS, COMO SEMPRE SE VIA DURANTE O DIA.


 
Luandro
Enviado por Luandro em 12/01/2018
Reeditado em 14/01/2018
Código do texto: T6224513
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Luandro
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
215 textos (12094 leituras)
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