Larga que o osso 🦴 é meu
Larga que o osso é meu.
Alguns ambientes, ao que parece, foram idealizados para produzirem acontecimentos esquisitos, inesperados e, não poucos, constrangedores. Nesse catálogo podem ser incluídos a construção civil, casernas, hospitais e congêneres.
Por falar nisso, o Hospital de Terapia Intensiva de Teresina, recentemente, serviu de palco para mais uma comédia melodramática, que acabou por gerar risos e dissabores.
Duas famílias vindas de lados opostos, uma do interior do Ceará, a outra do interior maranhense. Estavam lá com iguais desejos e objetivos. A cirurgia do “chefe” da família. É um hospital particular e que atende o público conveniado e isso já é um indicativo para um bom exercício da paciência.
Nestes casos, cansaço, nervosismo e a impaciência costumam tomar conta das pessoas, tirando-lhes os últimos resquícios de humor. Uma das famílias já havia ficado praticamente 24 horas tomando chá de cadeira no Pronto Atendimento. Depois, em uma sala de espera do Centro Cirúrgico, era consumida pela ansiedade, que lhe tirava o controle. Seu paciente entrou às 9 horas. O médico terminou duas horas depois e ao sair, apascentou os animos da família, dizendo que o procedimento cirúrgico teve êxito total e que aguardasse a liberação do médico anestesista.
Assim, mais horas eram engolir pelo relógio. A cada chamada, mais expectativas se criavam nos corações dos acompanhantes. De repente:
- Acompanhantes do Sr. Felismino Ferro Forte, falou uma voz estridente.
O relógio marcava 15 horas em ponto, quando duas senhora entraram juntas no elevador, coincidentemente, para o terceiro andar e não se sabe se, coincidentemente, entraram no apartamento 72.
Chegando lá, se era estranho haver duas camas no apartamento, mais estranho era ter mais uma mulher. Agora, eram três.
Não se sabe se por má-fé, ou por negligência, o paciente estava sobre uma maca, coberto da cabeça aos pés. Para tornar o ambiente mais tenso, só faltou uma etiqueta amarrada com barbante no dedão do pé do homem.
A mulher que já estava no quarto disse:
- É meu marido.
- Não senhora. O marido é meu. Respondeu, energicamente, uma segunda mulher.
- Já falei que o marido é meu.
- Não é. Retrucou mais incisivamente a outra.
- O marido e meu, sim, mas se você quiser, pode levar esse traste com você e de lambuja, ainda lhe dou dois filhos pequenos. É pegar, ou pegar e não aceito devolução.
Velório com duas viúvas chorando a um só tempo, de quando em vez, acontece no Brasil. O caso mais famoso foi o do automobilista Ayrton Senna, onde duas “famosas” reclamavam para si, as atenções do público e o título de “a viúva do século”. Contudo, na sala daquele hospital, segundo depoimento de um enfermeiro que não se continha de tanto rir, era a primeira vez, que se dava esse arranca rabo.
Nisso, a segunda reclamante resolveu descobrir o rosto do paciente, que para surpresa de todos, estava sorrindo, mais felismino do que nunca, se divertindo com duas mulheres quase se engalfinhando por sua guarda.
Na verdade, a primeira queria se livrar do estafermo e ainda aumentava a oferta.
Na averiguação, ficou constatado que o marido, realmente, pertencia à primeira. Ficou claro também, que no mesmo apartamento estavam dois pacientes com o mesmo nome e sobrenome.
Para a segunda reclamante sobrou o desapontamento de pousar para as câmaras internas com cara lisa de mona, de "Mona lisa”, onde ninguém se sabe se está rindo, ou chorando e ainda, ter que esperar por mais tempo pelo seu marido.
São coisas da minha terra!