Espero

O vento vem com força como a tempo não costuma vir.

No meio do tempo sem rumo, vou esperando a vida correr

Vejo a horas num relógio sem ponteiros, quando tudo que desejo é o fim dos tempos

Esperando o meu enterro passar diante da rua sem asfalto, no interior de um terreno plano sem nuvens pra colorir o céu azul

Vou queimando um cigarro de palha enquanto espero o tempo escurecer no meio de um dia.

Em algum momento o vento muda e a estrutura dessa história também.

No meio da poeira da estrada a noite vem, escurecendo um caminho que eu diria ser incerto.

De um céu noturno, estrelado, no meio do vazio do mundo as nuvens começam a aparecer e no meio do breu eu me perco mais uma vez

Tento tatear no meio do escuro, mas não existem paredes para que eu possa me apoiar, tento sentir o chão, mas não há piso firma para andar

Ando as escuras, em uma areia fofa, no meio da noturna infantilidade que minha cabeça traz, me pregando peças de desapego e solidão

Vou andando triste, cego pelas trevas existentes, perdido no meio da noite que vira

Esquecendo de mim mesmo, me tornando um com a noite enquanto espero um sol incerto nascer

Enquanto isso espero e crio esperanças que podem ser ou não vindouras, procurando em meus bolsos uma sanidade empoeirada e justa

Do qual eu não sei se ainda existe ou se está comigo guardada

A incerteza do caminho me angustia.

Em algum momento algo vai acontecer.

Tem que acontecer, precisa acontecer.

Grito, um grito fino, sufocado de socorro, no meio do pânico escuro que se tornou.

Onde está meu sol?

Sinto o frio da noite, esperando, e esperando

Tremendo entre meus pensamentos, assutado.

Socorro.

Socorro.

Enquanto me sufoco e sofro eu espero, é apenas o que me resta de uma esperança que não sei se existe

Socorro.

Socorro.

Eu tremo, tropeço, não existo, não enxergo.

Caio no chão, choro em meio a desespero.

Esperando por uma luz no fim do túnel, um raio do primeiro sol da manhã

Espero, eu espero

Espero…