Moldura
Moldurei meus antigos sorrisos e pendurei na parede do meu quarto.
Misturei o quadro com as aquarelas que tingem o céu num final de uma tarde de outono.
Precisava de um lugar sempre a vista para me lembrar deles.
Sempre precisei acreditar que eles existiram.
E lá ficou.
Pendurado por uma saudade qualquer.
Denunciando minhas indelicadezas.
Enfeitando um mural quase branco.
Agora minha alcova, que era quase vazia, virou algo pra se visitar.
Uma cama, algumas roupas espalhadas, algum sonho esquecido e uma tela rebuscada.