Autores

Perfil


Antônio C. de O. Júnior.

Formado em História pelo Centro Universitário Projeção. 

"Quem não conhece seu passado, está fadado a cometer os mesmos erros".


- No princípio - disse Nefertite, em voz ociosa -, não te amei, como bem sabes, não é?

Aquenáton afastou os lábios:

- Como podias não me amar?

Com as pesadas pálpebras fechadas, ela respondeu:

- O mundo adora o faraó. Amava-te como o resto da Terra, não menos, não mais.

- Confessas?

Nefertite ergueu o olhar.

Aquenáton imaginou ver desdobrarem-se mil pétalas na profundidade das belas pupilas misteriosas.

- Agora - disse ela - te amo com um amor em chamas, em água, ar e luz. Amo-te como amo os dois sóis, amo-te como amo Aton, que nos dá a vida de seus raios, a morte em seu fogo, a expandir a flor e a devorar a caravana que no meio do caminho poerde o rumo nas areias; a desaparecer à noite no ocidente e pela manhã vir irradir o mundo. Amo-te como "o sol da meia-noite" - redondo e pálido, a abrandar-se durante o tempo de seu ciclo - desaparece e retorna.

Do livro: Nefertiti - Amor, poder e traição no antigo Egito. 
                                                     
                                                                     Jacqueline Dauxois

Envie suas perguntas, ideias para: 

juniorazevedo298@gmail.com