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Trinta Anos de Saudade Do Nosso "Rei do Baião"!!!
Publicado por: Carlos Aires
Data: 01/08/2019
Classificação de conteúdo: seguro
Créditos:
Autor: Carlos Aires
Recitado Por: Carlos Aires

Música ao Fundo: Asa Branca
Tocada Pelo Trio de Flautas do Nordeste.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Poema de Autoria de Carlos Aires). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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Texto

TRINTA ANOS DE SAUDADE DO NOSSO “REI DO BAIÃO”!!!


Completam-se trinta anos
Que se rompeu a estrutura,
Causando terríveis danos
Nas colunas da cultura!
A morte de Luiz Gonzaga
Abriu uma imensa vaga
Certamente impreenchível!
Deixando na orfandade
O forró de qualidade
Que só fez cair de nível.

Além de um mar de saudade
O nosso mestre “Gonzaga”
Deixou uma infinidade
Musical, em sua saga,
Por ser bastante aclamado
Aplaudido e consagrado
Do litoral ao sertão
A ele foi conferido
O emblema bem merecido
De ser o “Rei do Baião”!

Do nordeste descrevia
Cada paisagem bela!
Do verde quando chovia,
Da seca, a cruel sequela,
Realizava o desejo
De ajudar o sertanejo
Na estiagem feroz
Que ao nordestino castiga,
Luiz em sua cantiga
Dava a causa vez e voz!

Fortuna, fama, e sucesso,
Não lhe deixou diferente,
Nem fez perder o acesso
Que tinha com sua gente,
E para o artista anônimo
Luiz se tornou sinônimo,
De glória e de crescimento,
Ao dar apoio e suporte
Até que ficasse forte
E desenvolvesse o talento.

Apoiava a natureza
Detestava o que devora,
Sempre corria em defesa
Da fauna e também da flora,
E com o seu desempenho
Foi um lutador ferrenho,
Agindo com sensatez
Usando seu vozeirão
Pra defender o sertão,
Protegendo o camponês.

Como um sertanejo nato
Nunca saiu dos alinhos,
Desmiuçava o retrato
Do sertão em seus caminhos,
 Falou da “Chuculatêra”,
Também da “Mulé Rendêra”,
Da “Estrada de Canindé”,
Ao seguir em “Procissão”
Pediu força e proteção
 A Jesus de Nazaré.

“A Vida do Viajante”,
O “Riacho do Navio”,
O “Liforme Instravagante”
“Acauã” “Fiá Pavio”
“A Muié do Meu Patrão”
“A Noite é de São João”
“Algodão”, “Amei Atoa”,
“Frescobol”, “Forró Fungado”,
O “Matuto Aperreado”
“Mazurca” e “Lorota Boa”.

Versejou o “Assum Preto”,
“Sábiá” “Pássaro Carão”,
“Quero Chá!”, “Cacimba Nova”,
O “A, B, C, do Sertão”,
“Tropeiros da Borborema”
Que descreveu o esquema
Das tropas de antigamente
Que traziam do sertão
Fardos de pele e algodão
Enfrentando o sol tão quente.

“Carapeba” “Capim Novo”
“Chá Cutuba” “Cidadão”
Tem a “Sanfona do Povo”!
Tem “Corrida de Mourão”,
“Facilita”, “Farinhada”
Também tem “Olha a Pisada”
“Saudade Dói”, “Seridó”
“Só Xote”, “Taqui Pá Tu”,
“Tacacá” e “Tambaú”,
“Boi Bumbá”, “Quinem Jiló”.

“Feira de Caruaru”,
“A Carta”, “A Festa do Milho”,
Cantou a “Triste Partida”,
“Nega Zefa” “O Andarilho”
“Aquilo Bom”, “Aroeira”,
Tem “Maria Cangaceira”,
A mulher de Lampião!
E pra sair do sufoco
“Numa Sala de Reboco”,
“Ana Rosa” e “Cidadão”.

Tirou “Fogo Sem Fuzil”,
Exaltou “Frei Damião”,
Também traçou o perfil
Das “Lendas de São João”,
Falou sobre “O Caçador”,
E também “O Cantador”
Aqui ficou incluído,
A “Cantiga do Vem-vem”,
“Queimando Lenha” também
Não foi por ele esquecido.

“Nem se despediu de Mim”,
“Moreninha Tentação”,
“Menino de Braçanã”,
“Matuto de Opinião”,
“Meu Padrim” “Meu Pajeu”
“Quero Ver” e “Rei Bantu”,
“Alvorada Nordestina”
“O Coreto da Pracinha”,
“Toca aí uma Polquinha”
E “O Cheiro da Carolina”.

“Terra, Vida e Esperança”,
“A Nova Jerusalém”
“A Volta da Asa Branca”,
Gonzagão cantou tão bem!
“Apologia ao Jumento”,
“Valha Deus Senhor São Bento”
“Casamento Improvisado”,
Cantou “Jesus Sertanejo”
E prosseguiu no traquejo
Cantando “Fole Danado”.

“A Letra “I”, “A Ligeira”,
“A Mulher do Sanfoneiro”,
Num momento de saudade
Fez “A Morte do Vaqueiro”,
E sem que houvesse falha
Em “Meu Cigarro de Palha”,
Foi bela a dissertação,
Na simplicidade nata
Da vida humildade e pacata,
Lá nas brenhas do sertão.

O nosso “Rei” teve acesso,
A sua fama ampla e franca!
Foi ao auge do sucesso
Quando gravou “Asa Branca”!
Composta com maestria
Cuja letra e melodia
Tem conteúdo divino!
Que de uma forma altaneira
Tornou-se Hino e bandeira
Para o povo nordestino.

Aqui termino o versejo
Em que “Gonzagão” foi tema
Esse nobre sertanejo
Um nordestino da gema,
Que a muito já nos deixou
Foi lá pra o céu, se mudou,
Para outra dimensão!
E assim fiz com humildade
Trinta anos de saudade
Do nosso “Rei do Baião”!

Carlos Aires
01/08/2019
Carlos Aires
Enviado por Carlos Aires em 01/08/2019
Reeditado em 01/08/2019
Código do texto: T6709840
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Poema de Autoria de Carlos Aires). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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Sobre o autor
Carlos Aires
Carpina - Pernambuco - Brasil, 67 anos
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