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As Desigualdades Sociais expostas através do Covid-19 e do ENEM

As Desigualdades Sociais expostas através do Covid-19 e do ENEM

Assistindo com três horas de atraso o Jornal Nacional, ouço que o ministro Gurgel de Faria,  do Superior Tribunal de Justiça (STJ),  indeferiu um mandado de segurança da União Nacional dos  Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas  (Ubes), nesta quarta-feira (13), em que pediam o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio 2020.  Segundo o ministro, não foi apontado na peça nenhum ato assinado pelo  ministro da Educação, Abraham Weintraub, "o que inviabiliza a análise do  pedido”.
As entidades estudantis alegaram que com a paralização das aulas por causa da Covid-19, aumentaram as desigualdades entre estudantes ricos e pobres. Isso porque, filho de ricos tem acesso a internet banda larga, com Iphone e smartphone de último tipo. Enquanto milhões de estudantes pobres não têm acesso a nenhuma tecnologia, nem a internet.
Muito triste constatar que além da miséria e pobreza dos jovens estudantes de escolas públicas, que muitas das vezes estudam em unidades escolares sem bibliotecas, sem quadras de esportes, sem acesso à internet e sem a menor dignidade; ainda serão penalizados em tempos de pandemia, tornando o ENEM mais desigual do que sempre foi.
Ano passado uma professora amiga minha, contava num Conselho de Classe, que alunos da sua escola particular de classe média alta, estavam irados por terem feito o Exame Nacional do Ensino Médio em escolas públicas, com salas de aula sem ar condicionado e pouco ventiladas. Bem diferente da realidade de sua escola privada.
Eles diziam: _“Não dava nem para pensar direito naquela sala quente”. A professora replicou: _“Imagina os milhares de alunos Brasil afora que estudam naquelas condições”. Fez-se um silêncio, até que ouviu de um deles: _ “Problema deles”.
É, infelizmente no Brasil, se culpa o pobre por sua pobreza. Pune-se o miserável por sua miséria. Pois de fato muitos pensam assim: “problema deles” e “sorte minha” por ter nascido em berço de ouro. Por ter acertado na loteria da vida nascendo numa família de posses. Por ter tido acesso a roupas lavadas, comida farta, plano de saúde vip, escola de ponta, tecnologia de primeiro mundo e empregados sob minhas ordens.
As pessoas perderam a solidariedade, vivem ensimesmadas, ególatras e incapazes de se colocarem no lugar do outro e sentir a dor alheia. Fingem não enxergar as desigualdades gritantes que marcam a nossa sociedade e a nossa história.
Eu nasci numa família de classe média baixa, estudei em escolas públicas até o Ensino Médio, fiz três graduações, duas pagas e uma pelo PROUNI; depois fiz muitos outros cursos, até o mestrado. Eu não me percebo melhor que ninguém. Me vejo com uma dívida social imensa. Pois milhões de brasileiros não tiveram a oportunidade que eu tive. Milhões não tem acesso a comida e água potável, quanto mais uma escola digna e uma universidade.
Aqueles que não entenderam que a vida deu muito a eles foi para que eles possam dividir, seja dinheiro, seja conhecimento, seja abraço, seja afago!Não compreenderam o verdadeiro sentido da existência.
Não podemos naturalizar as gritantes desigualdades. Não podemos nos insensibilizar. Não podemos normatizar o caos. Não devemos internalizar o egoísmo e a desumanidade.
Que o covid-19 sirva de mudança de paradigma. Que ele enterre uma sociedade vil e desperte o melhor da humanidade.
Acioli Junior
Enviado por Acioli Junior em 14/05/2020
Reeditado em 17/06/2020
Código do texto: T6946668
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Acioli Junior
Cabo Frio - Rio de Janeiro - Brasil, 42 anos
85 textos (1075 leituras)
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Acioli Junior