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Excertos do posfácio do livro Carminhos de mim

Observação que não faz parte do texto cujo título fala em posfácio. Estou sem inspiração nos últimos dias e aproveitando a idéia que tive ao ler um conto de um poeta aqui do RL, estou publicando hoje um texto escrito pelo poeta Ricardo Alfaya, revisor de meu livro e autor do seu posfácio que foi publicado no último número da revista Novo Horizonte. Segue abaixo esta publicação.

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Alberto Valença Lima: poeta de múltiplos caminhos
(Excertos do posfácio do livro)
Por Ricardo Alfaya*

“Caminhos de Mim é o primeiro livro solo de poesia publicado por Alberto Valença Lima, um poeta pernambucano, radicado em Recife, com diversificada formação universitária.  Por outro lado, embora seja seu livro inaugural, Alberto Valença já é um autor sexagenário, conforme informa em seu perfil, no conhecido site literário Recanto das Letras, no qual o autor mantém, até esta data, 631 textos, com a marca geral de 99.934 leituras, conforme informa o próprio Recanto.
Portanto, se o livro é de estreia, não se pode dizer que, no que concerne ao contato com o público, seja seu autor um estreante.  Na verdade, ele se vem exercitando em inúmeras formas poéticas, experimentando múltiplos caminhos, bem como, participando de antologias. E isso se faz ver tanto neste livro quanto no referido site, em que tanto há textos em verso quanto em prosa.
(...)
Alberto Valença Lima tem-se exercitado mais no que se convencionou chamar de Poesia Clássica, isto é, aquela que segue os rigores da métrica e da rima.  Porém, além de possuir alguns poemas mais soltos (sobretudo quanto à métrica), o autor se aplica – e muito bem – num gênero tipicamente pós-moderno, criado no Brasil pelo poeta baiano Goulart Gomes: o poetrix.  Para quem eventualmente ainda não saiba, poetrix são tercetos, com títulos, com o máximo de 30 sílabas no total, sem obrigatoriedade de rima.  O poetrix tem sua inspiração inicial no haicai, mas dele se distingue pela total liberdade de conteúdo, uma vez que o haicai possui algumas restrições quanto a esse tópico.  Tudo que se exige do poetrix é que o texto contenha alguma surpresa e aquilo que  Paulo Leminski considerava importante para sua própria poesia: “clima”.  E dá para notar que, embora Alberto domine bem a métrica e a rima, é no minimalismo e liberdade do poetrix que se dá boa parte do melhor da poesia do autor.
(...)
No livro, constitui toda uma seção, que, quando termina, deixa certo gosto de “quero mais”.  Não sem motivo, o principal prêmio literário obtido por Alberto Valença Lima foi com um poetrix, presente nesta obra, cujo título já sugere ousadia e irreverência: Brincando de Deus.
(...)
Um dos melhores poemas do livro tem o curioso nome de Diálogos, e, realmente, aparecem dois personagens conversando.  Há vários aspectos valiosos nesse trabalho, a começar pela referência metalinguística a Rocinante, que era o nome do cavalo de Dom Quixote de La Mancha, a notável criação de Miguel de Cervantes.  No poema, o eu lírico se apresenta montado nesse cavalo, como que encarnando o próprio Dom Quixote. Numa cena que remete ao estilo da poesia surrealista em língua hispânica, o Quixote-Poeta é questionado e desafiado por uma entidade fantasmática, que poderia ser a Morte.  Mas, ao mesmo tempo, o poema sugere, ambiguamente, que toda a cena se poderia estar passando apenas na mente do poeta, em virtude da frustração pela inútil e dolorosa espera de uma mulher que não veio, conforme registra, explicitamente, o verso final.  E essa mulher, sim, também poderia ser a Morte, que teria ameaçado vir, mas não veio.  Como naquele famoso verso do Drummond, em “José”, quando ele constata que “José” (alter ego do autor) poderia morrer, mas não morre.  De fato, em Diálogos, Alberto Valença produz um poema original e surpreendente.
Há muito de celebração da vida, em boa parte dos poemas deste livro. Mas não adianta, o que “morde” mesmo o leitor inteligente é a dor.  Ainda mais nestes tempos tão politicamente tristes (e não falo apenas da situação brasileira).  Por isso, é impossível não destacar o excelente conto-poema Inútil Paixão, que é de uma imaginação e criatividade extraordinárias.  E o final dói.  Dói fundo.  E dói mais porque a gente logo se identifica, e também porque o Alberto soube fazer.  A dor não é completamente exposta, é fria, distante e silenciosa como somente a própria Lua pode ser.  Nada de pranto ou escândalo, apenas a sugestão implícita em três palavras tão corriqueiras, que, no entanto, expressam aqui todo um insólito drama.   Um texto marcante, que ficará na lembrança de quem ler este livro.
E o traço do Nordeste, terra de origem e residência do autor, aparece em talvez meia dúzia de poemas, alguns alegres (como os que falam dos santos e festejos juninos), outros tristes (como os que falam da caatinga).
 (...)
* Ricardo Alfaya, nascido e residente no Rio de Janeiro, é escritor, revisor e livreiro virtual. Escreve poesia, conto, crônica, resenha, artigo e ensaio.  Tem cinco livros de poesia publicados, em 36 anos de vida literária. Contato: https://alfayalivreiro.com.br/”

 
Ricardo Alfaya
Enviado por Alberto Valença Lima em 05/02/2019
Código do texto: T6567550
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alberto Valença Lima
Recife - Pernambuco - Brasil, 68 anos
1310 textos (170607 leituras)
7 áudios (1091 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/19 13:10)
Alberto Valença Lima

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