A bananeira

Plantei uma #bananeira na beira da estrada...

Chovia muito...

Era madrugada...

Perto de mim...

Um raio caiu...

Pensei comigo...

Que seria meu fim...

Não queria terminar assim...

A bicha danada cresceu muito rápido...

Pela manhã já tinha um cacho...

Colhi e levei para a feira de domingueira...

E pus-me a vender aquela maravilha...

Deu o que falar...

Era pura euforia...

Fizeram então...

Grandioso leilão...

Quem mais pagasse ...

Venceria...

As ofertas comecaram...

Grandiosa multidão...

Grande admiração...

Homens, mulheres...

Jovens e idosos...

Acotovelavam-se ...

Todos queriam...

Minha banana ver...

Surgiu a primeira oferta...

Apareceu um turco sovina...

Disse que minha banana ele queria...

Mas só me comprava o cacho todo...

Se grátis pudesse experimentar...

Minha banana com gosto...

Claro que neguei ...

Que ousadia❗

Vê se pode tamanha afronta...

Não sou qualquer um...

Tome tento❗

Tome nota❗

Minha banana não é para qualquer um...

Tem que ser do jeito que quero...

Tem que ser do jeito que eu gosto..

Se não for assim...

É bom passar de largo...

Comigo tem que ser afável...

Tomar muito cuidado...

O turco foi embora...

Soltando fogos pelas ventas...

Que ele vá procurar suas quengas❗

Logo em seguida apareceu o português...

Dizia que a banana era muito formosa...

Não queria...estava de vez...

Veio também um trio estranho...

Um espanhol junto com um italiano e um francês...

Só queriam ½ dúzia...

Teria que dividir...

Um pouquinho para cada um...

Queriam me enganar...

Cheios de astúcia...

No golpe não caí...

Já vi muitos malandros por aí...

Ou levavam todas as bananas...

Ou nada feito...

Comigo é assim ...

Não tem jeito...

Muita gente a banana queria...

Argumentavam aqui...

Argumentavam ali...

Comprar que era bom...

Nada...

Só conversa fiada...

No fim da tarde...

Quando eu já quase desistia ...

Me apareceu um árabe ...

Que proposta me fez...

Compraria todo o cacho...

Mas algo além também queria...

Queria que com ele eu fosse...

Plantar bananeira no deserto do Saara...

Cuidaria de mim e de minhas bananas...

Me daria um bom salario...

Casa, comida em boa cama...

Ele sabia e muito bem...

Que banana tem que ser bem cuidada...

Prover fartura de sol e de água...

Eu muito gostaria...

Aceitei com satisfação...

Comprou tudo e me levou até seu avião...

Naquele mundaréu de areia...

Quando ali cheguei...

Numa tenda cheia de almofadas e tapetes persas aquela noite passei...

Decidi com o árabe ficar...

Ele me mostrou muitas coisas...

Me disse que mais iria mostrar...

Todas eu gostei...

E assim muito tempo com ele fiquei...

Seu nome era Társis..

Plantamos muitas bananas...

Fizemos um oásis...

Ao Brasil não sei quando voltarei...

Vou ficando...

Por enquanto...

Nas arábias...

Se Sherazade contou 1001 estórias...

Para vocês conto uma só...

As outras 1000

Deixo para o árabe contar...

Ainda temos juntos...

Muitas bananeiras a plantar...

Sandro Paschoal Nogueira

Sandro Paschoal
Enviado por Sandro Paschoal em 20/02/2020
Código do texto: T6870607
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2020. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.